08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Reclamação


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Acostumei-me a escrever para este conceituado Jornal e sempre ser prontamente atendida. Nunca, porém, me dirigi a esta coluna no intuito de reclamar ou me queixar de alguma coisa que ferisse os direitos do cidadão. Hoje, porém, embora contrariada, venho a público para reivindicar um melhor tratamento e uma certa consideração que me é devida, como cidadã e contribuinte. Dia 7/2 dirigi-me à Beneficência Portuguesa, alguns minutos após às 18h, a fim de pedir uma tomografia para um sobrinho com suspeita de traumatismo craniano. Dirigi-me à seção de tomografia e, como já estivesse fora de horário, a mesma encontrava-se fechada. Dali, fui à seção de Raio-X, onde tentaram me convencer que já era tarde e que no dia seguinte, sábado, ninguém poderia atender-me. Em todo caso, disseram-me, dirija-se à portaria do hospital e peça informações.

Lá fui eu, humilde, preocupada, como se estivesse pedindo um favor, explicar à atendente que o caso era urgente e que o rapaz precisava daquele exame a fim de completar o diagnóstico. Além do mais, a tomografia seria paga na hora, pois não se tratava de convênio (o que nem vem ao caso, já que conveniados ou não, todos têm os mesmos direitos). Ninguém soube solucionar o caso e endereçaram-me ao PA. Desci as escadas e lá fui, mais uma vez, com a requisição do médico, onde em letras bem grandes estava escrita a palavra “urgente”. No balcão, pouca atenção recebi. Uma jovem, dessas que acham que o mundo deve girar sempre em torno de seu próprio umbigo, mal olhou para minha cara, afirmando que era impossível realizar o exame àquela hora e nem, provavelmente, no dia seguinte, porque seria sábado. As poucas vezes que se dirigiu a mim, acrescentava, no final da frase a palavrinha “senhora”, com aquela inflexão irônica. Telefona pra lá, telefona pra cá (e eu com a requisição na mão, esperando pelo desfecho), para finalmente, desferir o golpe final: “Impossível fazer o exame, senhora, porque o aparelho está quebrado”...

Pergunto: esse pessoal que está em contato com a saúde do povo não sabe o que é omissão de socorro? Não sabe que deve ter mais respeito com o próximo? Que deve ter paciência, vocação e amor para exercer determinados cargos? Se algo tivesse acontecido de pior com meu sobrinho, não tenham dúvidas de que o caso não iria parar por aí. Felizmente, no dia seguinte, consegui a realização do exame no Hospital de Base, naquele sábado mesmo, dia 8/2, quando a profissional Clementina dispôs-se a vir de sua casa para atender-nos e a quem muito agradecemos. O dom mais precioso que Deus nos concede é a vida. É preciso que todos saibam disso. E se algumas pessoas que atendem nos hospitais estão acostumadas a desvalorizar o próximo, então, que façam cursos de reciclagem ou mudem de emprego. Se o aparelho de tomografia estava ou não quebrado, pouco importa. O que está em jogo, no momento, é o tratamento solidário, de apoio, que deve ser dispensado ao próximo, mormente àquele que está às voltas com um problema sério de saúde na família, tratamento esse que não recebemos, nem eu nem a mãe do rapaz e nem o próprio acidentado.

Que esta carta sirva de advertência àqueles que lidam com o público, principalmente com as pessoas enfermas, e que o cidadão brasileiro aprenda a reivindicar, a exigir seus direitos sem jamais permitir humilhações ou desprezo. Quando a pessoa presta-nos ou deve prestar-nos algum serviço, precisa entender que passa a ser, então, nosso funcionário, pois estamos pagando. (Dra. Maria da Glória De Rosa - mgderosa@bol.com.br)