09 de julho de 2026
Regional

Polícia investiga viagem de prefeito

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina - A polícia de Jaú está apurando uma ocorrência onde o prefeito de Bocaina, Moacir Donizete Gimenez (PSDB), o Zete como é conhecido, figura como vítima de extorsão e também como suspeito de estar usando indevidamente um carro público com licenciamento vencido, para fins particulares.

Consta dos autos que o veículo oficial da marca Bora dirigido pelo prefeito estava na contramão e com a documentação irregular, minutos após seus ocupantes terem sido, como afirma Zete, extorquidos por uma mulher, no início da madrugada de anteontem. Vereadores já cogitam processo de cassação contra o prefeito.

O fato ocorreu na última quarta-feira, na área central de Jaú, cidade vizinha a Bocaina e está sendo investigado primeiramente pelo 1.º Distrito Policial onde a investigação está centrada na suposta condição de vítima do prefeito. A mulher, cuja identidade não foi divulgada, teria pulado na frente do carro, entrado no veículo e exigido dinheiro do chefe do Executivo, que na ocasião estaria acompanhado de um outro rapaz, cuja identidade também não foi revelada.

Assim que o inquérito for concluído, o que deve ocorrer até segunda-feira, uma cópia será encaminhada para a Delegacia Seccional que vai então abrir um inquérito e se ater principalmente à questão relacionada ao suposto uso indevido do carro de propriedade da Prefeitura de Bocaina.

De acordo com o delegado seccional de Jaú, Benedito Antonio Valencise, o registro feito pela Polícia Militar (PM), anteontem, aponta que o prefeito dirigia na contramão de direção pela rua Saldanha Marinho, próximo a Marechal Bitencourt e o Bora tinha o licenciamento vencido e portanto não deveria estar em circulação.

O que a Seccional quer saber é se o carro estava ou não sendo utilizado pelo prefeito para fins particulares. Se isso ocorreu, explica o delegado, o prefeito incorreu em crime de responsabilidade e estaria sujeito à pena que varia de dois a 12 anos de reclusão, de acordo com previsto no artigo 1º, inciso II do decreto lei número 201/67.

De acordo com a versão do prefeito à polícia, ele e um amigo foram a Jaú para um chope. Na volta, a mulher teria pulado na frente do carro obrigando-o a frear o veículo. Ela teria tomado as chaves do Bora e exigido dinheiro para deixá-los em paz. O prefeito contou que ao receber R$ 20,00 a moça, que antes havia lhe pedido carona, devolveu as chaves e foi embora. Ele teria então chamado a PM. Só que quando os policiais o localizaram, o veículo estava na contramão e tinha o licenciamento vencido.

A versão da moça, segundo o delegado José Roberto de Almeida Prado Marchesan, do 1º DP, é outra. Ela, que está presa sob acusação de extorsão, alegou à polícia que o prefeito é que parou o carro para conversar com ela. Ainda segundo o delegado, existem em Jaú outras 17 ocorrências registradas contra essa mesma mulher, por motivos semelhantes.

Vereadores

Um grupo de cinco vereadores da oposição está acompanhando as investigações e afirma que se ficar comprovado o uso indevido do carro, um processo visando a cassação do prefeito deve ser proposto nos próximos dias. “Fazemos questão de manter a moralização do serviço público”, disse Nilson Cordeiro de Souza (PDT).

O prefeito foi procurado para falar sobre o assunto durante a tarde de ontem mas não foi localizado e também não retornou aos telefonemas.