Não é nada fácil aos seres humanos conseguirem atingir a maturidade mental, eis que isso é uma construção que exige das pessoas esforço dos mais empenhados, quer dizer bem profundos. Para alcançá-la, hoje ou amanhã, não basta, portanto, a inteligência lúcida plenamente aplicada à vontade livre de chegar lá, porquanto é evidente que coisa nenhuma neste mundo está separada e nem justaposta na personalidade das pessoas, criadas por Deus exatamente assim. Em verdade, a complementação de todas as atividades constitutivas da vida, que se tem tempos afora, representam uma plenitude viva e una. Já o definia magistralmente a fértil imaginação do grande sábio Claparède, falando da interligação existente entre inteligência e vontade, dupla da qual surge para o homem social o desejo sincero de sua total libertação interior, a fim de poder pensar e agir a seu talante, sem o que a maturidade acaba se colocando à sua distância, conforme explicam pesquisas modernas para as quais a autodeterminação humana é considerada genuíno poder dos seres vivos, impedido de evoluir somente quando fatores excepcionais sobrevenham em determinadas situações, aquelas cujos efeitos não se consigam evitar. É daí que emergem irrevogavelmente a liberdade de opções e respectiva adoção, nas quais o ato espiritual das pessoas se vincula inteiramente à dependência do nível de maturidade existente em cada um, face ao que se resolvem conflitos de tendências diversas e de inclinações opostas, estas e aquelas, muitas vezes, de profundidades bem explícitas e avançadas. Considera-se, então, que embora não seja fácil desvincular a ação humana dos fatores biológicos de cada sêr é possível adotarem-se técnicas para substituir, com algum rasgo de desenvolvimento mental, o anonimato de um lado pela individualidade, de outro, ainda de acordo com as colocações do sábio, diante das quais para o alcance da maturidade pessoal se exigem “exercitar-se diariamente na introspecção, isto é, conhecer o interior de cada um na suas profundezas para adaptá-lo gradativamente à vida diária, aceitando a realidade; usar a inteligência e a decisão antes de depender da opinião de terceiros; reagir adequadamente contra as imagens frívolas que pululem em sua mente; ativar a intuição para que a iluminação interior impulsione a vida a uma verdadeira adaptação; cultivar a confiança em si e nos outros; procurar extirpar as raízes da avidez que não lhe permitam avançar nem progredir como pessoa e avançar na sua autêntica espiritualidade, doando-se satisfatoriamente aos outros, sem servilismoâ€.
Na grande civilização que o mundo vive, com opções se espraiando livremente aos pés das pessoas, resta o consolo de que, não obstante a existência de uma mediocridade cambiante, ainda se encontrem amplas camadas de homens que se decidem pela liberdade interior e, consequentemente, predispondo-se a dar as mãos aos seus semelhantes. É a opinião que subtraímos das pesquisas. (O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)