11 de julho de 2026
Política

Bauru faz manifestação contra guerra

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru entrou na batalha social contra guerra. Entidades da cidade reuniram-se num “Ato Contra a Guerra” no Calçadão da Batista de Carvalho ontem pela manhã. Segundo os organizadores, o objetivo da manifestação era conscientizar a população sobre os verdadeiros interesses dos Estados Unidos em atacar o Iraque e reunir assinaturas de repúdio ao iminente ataque.

Integrantes do “Comitê Bauruense Contra a Guerra” alegam que o argumento norte-americano de que o Iraque esconde armas de destruição em massa é apenas uma desculpa para encobrir a intenção de dominar as jazidas de petróleo do Oriente Médio.

“As reservas de petróleo iraquianas são a segunda maior jazida do mundo. Ou seja, é uma guerra tipicamente capitalista”, observa o diretor do Sindicato dos Bancários, Marcos Silvestre.

“Se os norte-americanos realmente estivessem preocupados com armas de destruição, então eles deveriam fazer guerra contra Israel, contra a Inglaterra e, principalmente, contra eles mesmos, já que os Estados Unidos são o país que mais guarda armas de destruição no mundo”, salienta.

“Essa guerra, de fato, não é contra o terrorismo, mas sim em busca da hegemonia norte-americana. O que ameaça o mundo nesse momento é todo o armamento dos próprios Estados Unidos. Este sim é o país que mais tem armas de destruição de massa, bomba atômica, armas químicas, biológicas e de toda a natureza”, defende Dino Magnoni, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Na opinião dele, o presidente norte-americano George W. Bush busca uma guerra de expansão territorial. “Ele já controlou o Afeganistão no ano passado, que é uma área estratégica. Agora ele quer invadir o Iraque. O passe seguinte será o Irã. Se ele controla esses três países, ele controla uma das principais reservas petrolíferas do mundo”, comenta.

Magnoni adverte que Bush usa o discurso antiterrorismo para sensibilizar a opinião pública. “Com isso, ele vai invadindo quem ele quer. Hoje é o Iraque. Amanhã pode ser a Colômbia, a Venezuela, a Amazônia brasileira, qualquer outro país que se insurja contra os interesses estratégicos dos Estados Unidos”, comenta.

Ele lembra que as forças militares norte-americanas já estão espalhadas por todo o território mundial, incluindo Colômbia, Peru e a própria Base de Alcântara, no Norte do Brasil. “O Iraque está distante da gente, mas nós estamos bem próximos dos Estados Unidos”, observa.

O professor lembra que os Estados Unidos têm uma máquina guerreira de US$ 360 bilhões. “Esse dinheiro revertido na erradicação da pobreza, no combate à miséria e à fome resolveria o problema de todas as nações pobres do mundo hoje”, completa.

Além de distribuir um manifesto com todos estes argumentos detalhados, o comitê passou um abaixo-assinado de repúdio à guerra. Outras assinaturas deverão ser colhidas nos próximos dias em escolas e universidades. Além disso, o documento estará disponível nos sindicatos e outras entidades de classe. A intenção é reunir o máximo possível de assinaturas no País e encaminhá-las à embaixada norte-americana.

Segundo Silvestre, o Comitê Bauruense Contra a Guerra é formado por diversas entidades sociais, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e todos os sindicatos filiados, a Comissão Pastoral da Terra, os partidos políticos PT, PSTU e PC do B, Comissão Pastoral da Terra, associações de moradores, conselhos e movimentos sociais da cidade.

Destino da Alca

Além do abaixo-assinado contra a guerra, quem passou pelo Calçadão da Batista de Carvalho ontem também foi convidado a assinar um documento pedindo um plebiscito sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários, Marcos Silvestre, movimentos sociais do País realizaram um plebiscito em 2002 e mais de 10 milhões de pessoas votaram.

“Agora estamos passando um abaixo-assinado em todo o Brasil reivindicando que o governo Lula faça um plebiscito oficial, ou seja, que ele use todos os instrumentos do Estado para permitir que a população opine”, destaca.