O Jornal da Cidade de domingo, 9 de fevereiro de 2003, traz em sua página 4 entrevista com o geógrafo Fábio Betioli Contel, produzida pelo jornalista Nelson Gonçalves. A matéria trata de tese de mestrado do entrevistado referente à "relação entre as finanças e o território no Município de Bauruâ€. Anteriormente, em 1.º de julho de 2001, em matéria produzida pelo jornalista Gilmar Dias, o mesmo Jornal da Cidade entrevistava o mesmo Fábio Contel sobre o mesmo assunto, que segundo ele se baseava em pesquisas iniciadas “em julho de 1998â€, com a orientação do ilustre prof. dr. Milton Santos, recentemente falecido naquela época.
As duas entrevistas são importantes, embora os enfoques sejam distintos e até conflitantes em alguns aspectos. Na primeira entrevista o geógrafo Contel “avalia que a Prefeitura acertou ao projetar o viaduto para ligar os bairros†(sic) e continua dizendo que “a situação geográfica impeliu a construção do viaduto†(sic). Em outro trecho afirma que a legislação existente “praticamente impeliu os municípios a buscar o dinheiro privado para resolver sua demanda de problemas†(sic) e completava a reportagem: “Um exemplo citado por Contel é o viaduto inacabado sobre os trilhos da ferrovia†(sic). Tal posicionamento era idêntico ao exposto pelo prof. dr. Milton Santos nas inúmeras entrevistas concedidas naquele período que antecedeu a sua morte. A matéria de Contel trazia respaldo conceitual.
Esta segunda e última entrevista acaba se transformando em um amontoado de informações onde as razões que produziram tais dados não são lembradas, como por exemplo as que mudaram a saúde na década de 80. Os que acompanharam tal período sabem que a mudança se deu em função da alteração do quadro político no país, com o governo Montoro (à época, PMDB) em São Paulo e, depois se expandindo pelo Brasil a partir do governo Tancredo/ Sarney (PMDB) com a implantação do SUDS, precursor do SUS. Não foi só Bauru que na década de 80 construiu núcleos de saúde, foi todo o Estado de São Paulo.
Embora esta segunda entrevista careça de conceituações e informações mais precisas, ela traz coisas importantes como os dados (não é citada a fonte) do endividamento do município na década de 90, com ênfase para o período de 1997/98/99, governo Izzo Filho, quando o endividamento de Bauru chega a “R$290,00... per capita†(sic) que multiplicado por 320.000 habitantes ultrapassa a casa dos 94 milhões de reais, 80% do orçamento de um ano. Dívida, não se sabe se consolidada, mas seguramente de curto, médio e longo prazo. Sabe-se, ainda, mas a matéria não mostra, que na década de 90 vínhamos com heranças de dívidas, de governo para governo, em torno de 25% do orçamento do município. O Tuga deixou para o Izzo, em 1989, um déficit de 23,9% do orçamento.
O Izzo deixou para o Tidei 25,8% de déficit para o orçamento de 1993, que deixou para o Izzo, novamente, 24,4% de déficit para ser coberto pelo orçamento de 1997... Assim foi, até que no período de 97, 98 e 99, em que pese as boas arrecadações acontecidas, o governo Izzo Filho deixou de honrar vários compromissos da Prefeitura, principalmente o do viaduto (nem o juro pagou e, ainda, iniciou a segunda alça) e aí os valores se multiplicaram com correções e juros sobre juros. Entra em cena a Lei de Responsabilidade Fiscal que arrochou todos os orçamentos e... Bem, o espaço é pequeno para abordar outros aspectos importantes que envolvem o tema em questão, mas creio que eles tanto quanto estas considerações não abordadas nas entrevistas do geógrafo Contel, certamente fazem parte da sua tese.
Enfim, o assunto é polêmico e o enfoque dado nas duas entrevistas acima citadas é prova disso. (Nicanor Amaro Silva - RG. 7.724.025)