07 de julho de 2026
Saúde

Método segue oito princípios básicos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com Lynne Robinson e Gordon Thomson, no livro “Body Control - Using techniques developed by Joseph H. Pilates”, o Método de Pilates fundamenta-se em oito princípios básicos: relaxamento, concentração, coordenação, alinhamento, respiração, mobilidade, centralização e vigor. Eles devem ser seguidos simultaneamente para que se obtenha um bom resultado.

O relaxamento durante os exercícios é considerado uma das mais importantes habilidades que a pessoa precisa aprender. Ela deve se movimentar sem fazer esforços desnecessários. Isso só é possível quando o corpo está relaxado e a atenção do praticante está voltada exclusivamente àquela região que será trabalhada.

Com a musculatura relaxada, o indivíduo consegue manter a posição correta e executar os movimentos sem ter que fazer uma força exagerada. Ele realiza o exercício usando apenas a quantidade exata de tensão para aquele movimento. As lesões e dores aparecem quando a pessoa tensiona músculos que estão ao redor e poderiam ser mantidos em repouso.

Segundo a fisioterapeuta Laura Caramaschi, é o que acontece com as pessoas que sofrem de lesões por esforços repetitivos (LER). É a pessoa que, para digitar, por exemplo, tensiona toda a musculatura dos ombros e pescoço. “Além de usar os dedos, pulsos e braços, ela faz um esforço desnecessário em outra região do corpo, o que resulta em desgaste exagerado e lesão”, explica.

Quando tensiona esta musculatura ao redor, a pessoa levanta os ombros e joga sobre os braços uma carga muito maior do que aquela que seria necessária durante a atividade de digitação. Esse “peso” dificulta, trava o movimento. Se a pessoa relaxar o ombro e pescoço, ela “libera” músculos, articulações e tendões para fazer apenas o que precisa ser feito.

“Mas há uma diferença entre relaxar e ‘largar’ completamente - este segundo resulta num movimento medíocre e leva a uma condição de ‘desmoronamento’. O segredo está na combinação exata de relaxamento e concentração”, observam os autores do livro.

A concentração, portanto, é o segundo princípio do método de Pilates. Quando o praticante consegue mentalizar o que cada parte do corpo está fazendo o tempo todo, ele praticamente já realizou a atividade.

Vai levar algum tempo para que o iniciante consiga dominar esta habilidade, mas os exercícios feitos com concentração são infinitamente mais satisfatórios do que aqueles realizados com a cabeça fora da sala de aula.

Robinson e Thomson ressaltam que todo movimento começa na mente. A execução dos exercícios começa não nos músculos ou ossos, mas na ordem transmitida ao córtex cerebral para que estas estruturas realizem a atividade.

“Inconscientemente, nós visualizamos o movimento. Então, o sistema nervoso escolhe a coordenação correta de músculos necessários para desempenhar a tarefa. Muitas vezes, isso acontece sem que seja necessário pensar - nós não precisamos instruir nossas pernas para andar, por exemplo”, observam os autores.

Eles lembram, porém, que para conseguir andar sem ter que pensar foi preciso educar o corpo para fazer isso. “Se você se lembrar de suas aulas de direção e comparar com o jeito como dirige hoje, você vai perceber que a prática tornou os movimentos automáticos. Conforme você progrediu no método que lhe foi ensinado, seu corpo foi ‘aprendendo’ o que precisa fazer com pernas e braços para realizar cada manobra”, acrescentam.

Além da concentração em si, exercícios de mentalização e visualização podem ajudar o praticante a executar os movimentos. “Se você quer ficar de pé, você pode obter melhores resultados imaginando que seu corpo está sendo erguido por balões presos ao topo de sua cabeça”, exemplificam. Assim, o cérebro interpreta que os balões farão a força, enquanto o corpo só precisará “desdobrar-se” e permanecer esticado.