O método de Pilates defende que o corpo é um sistema integral - se uma de suas partes estiver fora do alinhamento, então toda a estrutura estará comprometida. â€œÉ como um edifício cujos alicerces estão irregulares. Nosso estado geral de saúde e nossa qualidade de vida são diretamente afetados por nossa posturaâ€, salientam Robinson e Thomson, autores do livro “Body Control - Using techniques developed by Joseph H. Pilatesâ€.
Segundo eles, o corpo foi desenhado de modo que o peso de cada parte esteja apoiado no centro de uma articulação. O peso da cabeça apóia-se na primeira vértebra, que se apóia na segunda vértebra, seguindo por toda a coluna. Esta apóia-se no quadril, descendo pelos joelhos, tornozelos e pés.
“Se o peso é deslocado para trás, para a frente ou para os lados (em qualquer parte do corpo), ele causa uma tensão extra às articulações, ossos, ligamentos, etc.â€, comentam. Este deslocamento vai afetar não só as estruturas do corpo, mas também o funcionamento de todos os órgãos, que podem ser comprimidos por um mal alinhamento.
Por isso, o alinhamento é um dos princípios básicos do método de Pilates. É ele que garante equilíbrio aos movimentos e ao metabolismo.
Para flexionar o antebraço, por exemplo, é preciso atuar na articulação (cotovelo) e no grupo de músculos que envolve o osso. Os músculos tensores vão se contrair para levantar o osso, enquanto os músculos opostos terão que se alongar para permitir o movimento. Um desequilíbrio em uma destas estruturas (dificuldade de contração ou distensão muscular, por exemplo) vai limitar ou impedir a execução do movimento.
“A boa notícia é que um alinhamento ruim pode ser corrigido com um programa de condicionamentoâ€, afirmam Robinson e Thomson. Os exercícios de Pilates trabalham todos os músculos e articulações de modo que eles possam dar a sustentação adequada ao corpo e estejam preparados para trabalhar sempre que forem solicitados.
Em pouco tempo, o praticante da técnica já pode observar mudanças no alongamento de seu tronco e reeducação de sua postura. “E as mudanças externas são acompanhadas de outras internas. Os órgãos vitais serão adequadamente sustentados em suas posições de origem por músculos firmes, tornando-os capazes de funcionar muito mais eficientementeâ€, completam.
Centro
“Um dos mais importantes princípios de Pilates é desenvolver o controle de centro. A pessoa tem que ter uma força abdominal suficiente para manter a sustentação do tronco “, afirma a fisioterapeuta Laura Caramaschi. É essa sustentação que vai garantir o alinhamento correto do corpo.
A educadora física Raquel Motta salienta, porém, que fortalecer o abdômen, para Pilates, vai muito além dos exercícios abdominais convencionais. “Nas academias, você trabalha a musculatura abdominal superficial (retroabdominal e oblíquos). O Pilates trabalha a musculatura mais profunda do abdômen, que a gente chama de transverso, e trabalha a musculatura das costas simultaneamenteâ€, explica.
Ela comenta que é o trabalho conjunto destes músculos que vai manter os ossos do quadril na posição correta e, assim, a coluna.
â€œÉ comum a gente receber pessoas que estão com o abdômen definido, bonitinho, mas têm um desvio de coluna porque fizeram um trabalho só abdominal. No Pilates, você entende a função do abdômen e ao invés de buscar só a beleza, você passa a querer um abdômen forte, porque senão não dá nem para ficar em péâ€, ressalta.
Além de sustentar o quadril e a coluna, o abdômen também dá suporte para grande parte dos órgãos vitais. Uma musculatura flácida nesta região facilita não só o estreitamento intervertebral (porque a falta de sustentação faz o peso das vértebras superiores comprimir as vértebras inferiores), como também o deslocamento destes órgãos (queda de bexiga, por exemplo).