O major Pedro Batista Lamoso, que comandou a ação da Polícia Militar no controle da rebelião de ontem à noite, na Cadeia Pública de Bauru, relatou como foi a ação da polícia e as negociações com os presos rebelados.
Para evitar mortes e feridos, segundo o major, a PM agiu durante todo o momento com cautela, evitando o confronto direto com os detentos e preservando o processo de negociações.
Jornal da Cidade - O que a polícia presenciou ao chegar ao local da rebelião? Major Pedro Batista Lamoso - Nós chegamos ao local por volta da 0h30 e eles já haviam dominado toda a cadeia. Começaram a quebrar os cadiados das celas para soltar todos os presos. Nisso, começaram a pegar colchões e atear fogo, tanto nos corredores como na carceragem. Eles foram soltanto todos os presos, quebrando os cadeados e ficaram todos soltos. Acionamos os Bombeiros, que foram até o local. As negociações começaram por volta da 1h30.
JC - Como foram as negociações para que os rebelados se rendessem? Major Lamoso - Houve várias negociações. A rebelião teve início 1h da manhã e inicialmente eles pediram a presença do juiz corregedor, que fosse feito contato com a imprensa para que eles viessem no local para dar garantia aos presos e também que fosse feita a remoção de alguns para outros locais, para outros presídios. Posteriormente, chegou lá o doutor Luiz Carlos Gonçalves, da Vara de Execuções Penais, e negociou com eles para que soltassem o preso que era mantido como refém, um ex-padre. Eles concordaram desde que alguns detentos fossem conduzidos até o pronto-socorro, porque alguns estavam machucados. E ficou acertado que assim que eles voltassem, seria libertado o refém. Posteriormente, chegou a imprensa. Eles também não quiseram fazer a libertação do refém porque criaram vários obstáculos. Porque não tinha realmente um líder só. Com a colocação dos presos que foram socorridos do pronto-socorro de volta para as celas, eles libertaram por volta de 8h o padre.
JC - Os rebelados chegaram a dominar todo o prédio? Major Lamoso - Sim, eles dominaram todo o prédio. Eram 172 presos soltos, no pátio e corredores.
JC - Quantos homens da polícia foram deslocados para o local? Major Lamoso - Para cercar o local, interceptar algumas vias e colocar policiais em cima do teto, nos raios e mais os bombeiros, foram cerca de 40 policiais.
JC - O que os rebelados estavam reivindicando? Major Lamoso - Eles estavam reivindicando a transferência, a presença da imprensa para falar das condições da cadeia que não teria condições de comportar tantos presos assim, por questão de salubridade. E outras reivindicações também, porque cada hora um falava uma coisa, fazia uma reivindicação. Mas as principais seriam a transferência para outros locais, a garantia da imprensa e a condução dos presos até o pronto-socorro municipal
JC - Durante a rebelião, os presos provocaram muitos estragos no prédio? Major Lamoso - Eles tacaram fogo em várias celas, nos corredores, nas portas. Segundo o que a gente notou, dois raios foram interditados.
JC - A Polícia chegou a invandir o local? Major Lamoso - Não, nós tivemos que apagar um fogo logo próximo à portaria, da carceragem para a ala destinada aos carcereiros. Então, houve só essa ajuda ao Corpo de Bombeiros. Não houve nenhum contato da polícia com os presos.
JC - Como os dois dententos que estavam no prédio foram feridos? Major Lamoso - Segundo os presos, eles ficaram feridos antes. Porque sábado houve uma tentativa de fuga, de domingo para a segunda houve essa rebelião. Parece que anteriormente teria ocorrido uma briga interna entre eles, que teria feito alguns feridos. Seriam ferimentos causados pelos próprios presos.
JC - Alguns dos detentos chegaram a ser transferidos? Major Lamoso - Eu não sei te dizer com precisão, mas a gente tem notícia que sim, que agora (ontem) à tarde houve algumas movimentações.
JC - Por que a rebelião demorou para ser controlada? Major Lamoso - O principal motivo é a preservação da vida humana. Como havia um refém, a gente sempre hoje bate muito nessa tecla de preservação da vida. Então, enquanto tiver uma vida em risco, a gente trabalha com a negociação até o último recurso.
JC - Como o senhor avalia a ação da polícia nesse caso? Major Lamoso - Toda vez que há um refém, há uma preocupação. Sempre há essa dificuldade. A gente sabe que o preso deve ser tratado com cautela porque é uma pessoa que a gente não pode confiar. Por isso foi necessário ter muita cautela, ir com calma para não ter nenhum ferido, nenhuma morte. Caso eles não entregassem o refém, a invasão seria a última alternativa, a invasão com a autorização da Secretaria de Segurança.