09 de julho de 2026
Articulistas

As chamas da insatisfação


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Pediram nossa opinião quanto ao motivo de muitas crianças virem ao mundo choramingando e mesmo chorando para valer. Desejam saber a razão disso, pois, apenas por verem a luz do dia não poderiam ter porquê abrirem a bonita boquinha e revelarem desprazer por tê-lo feito, até porque a luminosidade de seu primeiro aposento normalmente tem muito encanto para transmitir e ser bastante admirado. O fato, entretanto, é que os recém-nascidos - nem todos, contudo - emitem lágrimas antes mesmo do impacto de qualquer palmadinha no bum-bum aparentemente despretensioso. Pode ser que chorem por figurarem entre aquelas pessoas que, não obstante sem quaisquer intenções, já nascem descontentes, irritadas, agressivas e mal-humoradas e percorrem dessa forma, com toda valentia, o tempo todo de sua existência, qual seja, uma, dez, 20, 30, 50 ou 100 primaveras! Conseqüentemente, enquanto alguns bebês escancaram os olhinhos e sorriem, outros parecem sentir imediatamente as ameaças dos desafios que terão de enfrentar no futuro e, então, revelam desde logo a sua inconformidade com o panorama, pelo receio de desastres e acidentes de percurso. Mas não só nenês agem dessa forma, sem dúvida alguma. Adultos também o fazem, com larqueza característica, do que se têm provas incontestes na maioria dos ambientes familiares, sociais, profissionais e, porque não, políticos inveterados. Neste último campo, por exemplo, constata-se uma diversidade de reações fora de série, notada através de tantas crises correntes não só entre homens e mulheres das organizações partidárias federais, estaduais e municipais, quanto nos dos órgãos legislativos e executivos em geral, como acontece em nosso pacífico município, onde as falanges estão mostrando no momento dentes perceptivelmente afiados, uns para outros. Por qualquer motivo que contrarie seus interesses, a insatisfação nasce, cresce e quando floresce suficientemente entre eles, acaba explodindo em chamas, produzindo crises existenciais geradoras de desestruturas profundas nas personalidades. Esses, entre muitos outros, os males da insatisfação humana que podem, inclusive, gerar traumas psíquicos e, de cambulhada, as guerras e conflitos entre homens e países, iguais os que estão acontecendo na Indonésia, com previsão de se dizimar mundo afora, porque ninguém, a não ser o excelso Deus dos céus, da terra e dos mares tem condições de apagar as labaredas das tristezas que eclodem entre as pessoas e ganham espaços estratosféricos. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)