Causou forte impacto na opinião pública, indignação entre os vereadores e repercutiu na imprensa em geral o diálogo entre os vereadores José Humberto Santana (PV) e Osvaldo Paquito (PPS), gravado pelo segundo no último domingo. A fita flagra uma negociação em curso, de iniciativa de Santana, que tinha como tentativa livrá-lo de um processo de cassação.
Para isso, Santana discute com Paquito as condições para um virtual “acordoâ€. Ele mostra que outras negociações já estavam em curso, utilizando “denúncias de viagens†como um grande trunfo a seu favor no “convencimento†do apoio dos colegas.
Os principais trechos da conversa revelam, ainda, que Santana buscou o apoio para evitar a formação de uma CP contra ele ancorado em possíveis denúncias contra seus próprios colegas. A estratégia só não foi além porque Paquito resolveu gravar o diálogo, divulgando seu conteúdo na sessão de ontem à tarde da Câmara Municipal de Bauru. A seguir, os principais trechos da fita que conta com mais de 20 minutos de conversa entre os dois vereadores.
... Santana - ...Alô.
Paquito - Oh, meu líder.
Santana - Oh, rapaz. Estava tentando ligar para você. Desculpa, hein.
Paquito - ... O Renato te ligou?
Santana - É, ele me deu uma luz. Ele falou que o pessoal está mais ou menos definido, né. Como tá aí?
Paquito - Então, eu fiquei de conversar com ele hoje. Não consigo falar com ele...
Santana - ... Não, a idéia viu. É passar um motivo de força, né.
Paquito - Ah.
Santana - Porque, a bem de verdade, o Paquito. O que precisa definir não é só definir o Santana. Que a gente sabe que tem casos muito piores do que o meu.
Paquito - Não, eu sei disso e eles também sabem disso.
Santana - Então, é o seguinte. E, com certeza, se passar esse.
Paquito - Se passar o seu, passa todos os outros.
Santana - Você deve ter lido o jornal hoje.
Paquito - É, eu vi.
Santana - Então, a idéia básica é exatamente essa. É de estar conversando, negociando isso aí. Agora, eu, para dizer a verdade para você, nesse primeiro momento, eu tive vontade, viu Paquito, de pagar para ver. Agora, pra não dizer que eu é... ...
Paquito - Aí você ficaria assim na mesma situação que eu já tô, né.
Santana - Pois é. Então, é por essa razão que eu tô conversando. O meu grupo está fechado comigo.
Paquito - O grupo fechou?
Santana - Fechou.
Paquito - Ouvi uma conversa hoje que o Parreira falou que ele não votaria em você. Que ele votaria pela Processante sua.
... Paquito - Você tem quantos votos, você acha?
Santana - Quem que você acha que movimentou esse problema aí, que também tem um pequeno problema para resolver?
Paquito - Ah, não sei.
Santana - O Parreira. Foi ele.
Paquito - Ah, tá. Então, ele tá com medo de que pegue ele também, se passar o seu.
Santana - Você percebeu como é. Então, na realidade, oh...
Paquito - Mas quem que vota com você? Você tem quantos, o Parreira?
Santana - Vamos lá. Antonio Carlos Garmes, Antonio Faria Neto, é, dando a volta agora, o Clemente, Madureira, Valle.
Paquito - Que forma o time seu lá, né.
Santana - Isso. Aquele time nosso lá. O time nosso lá.
Paquito - Você tem essa garantia.
Santana - Isso.
Paquito - Então. Você pegaria do lado de cá. Daí, parece que o Purini vai ajeitar pra você.
Santana - Parece que a minha idéia. Inclusive, aquele dia que nós conversamos lá, depois eu acabei conversando muito rapidamente com o Renato, tá certo. Ah. A idéia é o seguinte. O Renato também tem um problemão, pô!
Paquito - Eu sei.
Santana - O Renato tem dois problemas.
Paquito - Eu sei.
Santana - O Renato tem dois problemas. Tem o problema do assessor e o problema das viagens.
Paquito - Na verdade, ali, Santana, todo mundo, né.
Santana - É, então....
... Paquito - ... Mas, Santana. Mas, eu sei bem. Mas, mas, você acha que quando a questão é política, que nem o meu caso por exemplo. Você sabe do meu caso. Você sabe, eu cometi uma irregularidade como você cometeu e todos ali cometeram, né. Não deu prejuízo, num tal. Mas os caras querem condenar.
Santana - É mas, eu, eu, nem isso cometi, bicho. Se eu cometi irregularidade autorizada. A irregularidade é muito mais de quem autorizou do que minha.
Paquito - Mas o que eles estão falando na imprensa, por exemplo. ...Você fez mais ou menos o que eu fiz. Você assumiu publicamente. ... Então, se não for uma coisa bem amarrada, se passar a sua, e é isso que eles estão com medo, não é isso? ...
Santana - É.
Paquito - Passa todas. Aí cada dez.
Santana - Que é isso? Que é isso? Você está por fora.
Paquito - Cassa quantos? Cassa todo mundo?
Santana - P... Não. Só não cassa o Garmes e o Clemente.
Paquito - Só os dois, né.
Santana - No caso de viagens, né.
Paquito - Mas tem outras coisas também, não tem?
Santana - É. Se você começar a buscar um pouco o passado, é capaz de cassar os dois também. ...
... Santana - É, a coisa é complicada. Agora é, eu acho que a solução é política, né.
Paquito - Então, eu também acho. Não, mas se você vacilar, ele pedem a Processante amanhã pra você também. O seu pessoal está fechado com você? ...
...
Santana - ...É, então, agora veja o seguinte. De repente eu passo de acusador a acusado e sou o primeiro a ser guilhotinado e sabendo que tem coisas muito piores ainda pra acontecer? Então, veja o seguinte. Hoje existe um consenso de que a gente precisar conversar a respeito disso. ...
... Paquito - Então, como seria essa...? Porque é pelo ...
Santana - Mas isso não dá pra conversar por telefone, né. Paquito.
... Paquito - Não, mas do nosso lado você precisa de três só, né. Você tem oito.
Santana - Não, acho que não. Aí é que vocês estão enganados. Estratégia não se faz assim. Se esse negócio for 11 a dez, vai continuar pipocando problema.
Paquito - Será?
Santana - Opa. ...
... Santana - Concordaria em que dois, ou até 17, que você também votasse a favor. Entende como é que é?
Paquito - Certo. Mas 11 livra você. 11 já livra você da Processante.
Santana - 11 livra, bicho, mas não livra o problema inteiro.
Paquito - Mas por quê? Se não passar a sua, não passa a dos outros.
Santana - Pára, Paquito. Pára, Paquito.
Paquito - Você acha que passa?
Santana - Pára, Paquito.
Paquito - Mas Santana, mesmo o seguinte, ó.
Santana - Presta atenção numa coisa. Isso é, tem que ser dado uma demonstração de força. De que a Câmara não vai aceitar interferência e que vai continuar o trabalho que ela precisa de fazer. ...
... Santana - Mas é isso que não dá pra conversar por telefone.
Paquito - Ah, tá, tá.
Santana - É isso que não dá pra conversar por telefone. É isso que não dá, Paquito.
Paquito - Então, mas vamos conversar à tardezinha eu, você e o Renato?
Santana - Vamos.
Paquito - Então, vamos. Então, eu vou ver se acho o Renato e depois eu ligo pra você.
Santana - Tá bom. ...
... Paquito - Não, eu não entrei na CEI, né. A CEI não foi aberta para me investigar, né.
Santana - Não, eu sei.
Paquito - Ela me pegou por, pela rabeira, por ter recebido aquele chequinho lá.
Santana - Mas foi dentro do processo.
Paquito - E falando nisso, você também é foda, né, Santana. P. merda. Você deu entrevista na TV hoje, eu vi, ficou boa. P..., naquele momento que você falou no meu cheque, você me ferrou de novo, pô.
Santana - Não, não, meu amigo. Não. Oh, Paquito... Deixa eu te falar.
Paquito - Porque no segundo cheque.
Santana - Porque os caras estão com, olha só, a televisão, e é isso que eu tenho falado pra você, tá com o relatório na mão. Eu não posso falar alguma coisa diferente do que eu relatei, pô. Eu apanhei na CEI. ...
... Santana - Pô, eu polemizava o assunto e ia ficar parecendo que eu tô te protegendo e eu não quero que aparentasse isso. ...
... Santana - É, o que eu acho que precisa é estar conversando disso aí. Eu acho que...
Paquito - Não pode ser por telefone, né.
Santana - Não, tem que ter uma estratégia global. ...
... Santana - Paquito, eu não quero sair disso aí sozinho. Eu não estou pensando no Santana. Eu até estou pensando ne mim, sim.
Paquito - Claro, tem que pensar, né.
Santana - Nós precisamos ter uma conversa é, veja o seguinte, mais dentro da Câmara Municipal. Você entendeu. Porque não adianta resolver o meu problema e amanhã pintar uma outra solicitação dessa natureza.
Paquito - E vai pintar, né. Vai pintar.
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‘Peço perdão’
“Se eu ofendi pessoalmente algum vereador (durante diálogo gravado pelo vereador Osvaldo Paquito), eu não quero pedir desculpa, quero pedir perdão.†A frase é do vereador José Humberto Santana (PV), durante discurso feito na tribuna para justificar sua conversa com Paquito.
Ao iniciar sua fala, Santana pediu ao colegas de plenário que usassem o “senso cristão†para avaliar a situação. “Na realidade, os vereadores conhecem muito bem quando, nos corredores, conversando descontraidamente, às vezes a gente não tem a preocupação de se resguardar conforme deveria.â€
Para o parlamentar do PV, Paquito agiu com deslealdade ao gravar o diálogo. “Quando conversamos descontraidamente no corredor, não estamos querendo explicitar voto do grupo. Pergunta-se: Como é que você está no seu grupo em relação a essa indicação de Comissão Processante? Ora, eu estou bem, mas não estou querendo dizer que meu grupo vai votar comigo.â€
Ele avalia que a dimensão pela qual passa a política de Bauru é responsável pela transformação de “um probleminha em um problemaçoâ€.
“Infelizmente, é a realidade das coisas. Eu gostaria de pedir o entendimento dos vereadores. Eu sempre fui uma pessoa leal. Nunca quis transformar problemas dos outros em justificativa dos meus problemasâ€, garante.