09 de julho de 2026
Regional

Grupo de Bocaina pede CEI para Zete

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Bocaina - Cinco dos onze vereadores da cidade devem protocolar hoje, na Câmara Municipal, pedido de abertura de Comissão Especial de Investigação (CEI) contra o prefeito Moacir Donizete Gimenez (PSDB), o Zete. O chefe do Executivo é acusado de viajar até Jaú com carro oficial para fins particulares, o que já motivou abertura de inquérito na Delegacia Seccional. Zete nega as acusações e afirma que usou veículo a trabalho.

A cobrança para que a Câmara investigue a fundo as acusações contra o prefeito está sendo feita pelos vereadores Nilson Cordeiro de Souza (PDT), Leandro Sormani (PMDB), Marcos Giro (PMDB), Gisberto Marcos Antunes (PT) e José Sanches (PL).

“Estamos nos baseando nos fatos registrados pela polícia de Jaú, não é suposição. Afinal, ele foi flagrado de madrugada, dirigindo na contramão de direção e o licenciamento do carro oficial estava vencido”, frisa o vereador Nilson.

O pedido de abertura de CEI deve ser analisado na próxima sessão da Câmara, segunda-feira. Segundo o vereador, a investigação será importante porque vai tirar dúvidas que pairam na cidade sobre a conduta do prefeito.

A acusação

Consta dos autos policiais que o veículo oficial Bora dirigido pelo prefeito na passagem da noite do dia 11 para o dia 12 último estava na contramão e com a documentação irregular, minutos após seus ocupantes terem sido, como afirma o prefeito, extorquidos por uma mulher, no início da madrugada de quarta-feira.

O fato ocorreu na área central de Jaú. A mulher, cuja identidade não foi divulgada, teria pulado na frente do carro, entrado no Bora e extorquido o chefe do Executivo, que na ocasião estava acompanhado do comerciante Sabas Eduardo Saad, de Nova Odessa e que estava de passagem por Bocaina naquele dia.

Segundo a versão do prefeito, a mulher teria pulado na frente do carro obrigando-o a frear o veículo. Ela teria tomado as chaves do Bora e exigido dinheiro para deixá-los seguir viagem. O prefeito contou que ao receber R$ 20,00 a moça, que antes havia lhe pedido carona até um bairro de Jaú, devolveu as chaves e foi embora. Ele teria então chamado a PM. Só que quando os policiais o localizaram, o veículo estava em condição irregular.

A versão da moça, no entanto, segundo o 1º DP, é outra. Ela, que está presa sob acusação de extorsão, alegou à polícia que o prefeito é que parou o carro para conversar.

Na semana que passou o 1º DP concluiu o inquérito quanto à acusação de extorsão contra a moça e encaminhou relatório à Seccional onde um inquérito vai apurar o suposto uso indevido do carro de propriedade da Prefeitura de Bocaina.

De acordo com o delegado seccional de Jaú, Benedito Antonio Valencise, o que se quer saber é se o carro estava ou não sendo utilizado pelo prefeito para fins particulares. Se isso ocorreu, explica o delegado, o prefeito incorreu em crime de responsabilidade e estaria sujeito à pena que varia de dois a 12 anos de reclusão, de acordo com previsto no artigo 1º, inciso II do decreto lei número 201/67.

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“Eu estava trabalhando”

O prefeito Moacir Donizete Gimenez, o Zete, afirmou ontem ao Jornal da Cidade que na noite do dia 11 foi a Jaú com o carro oficial a trabalho. “Sou presidente do Consórcio da Hidrovia Tietê e naquela noite participei, com três funcionários, de uma reunião no escritório que fica em Jaú”.

Zete disse ainda que após a reunião de negócio, deu uma “esticada” e foi com o amigo que o acompanhava a uma choperia da cidade. “Quando estávamos voltando é que a moça pulou na frente do carro. Aí eu chamei a PM que demorou uns 20 minutos”.

O prefeito contou que estava nervoso com o ocorrido e por isso acabou entrando na contramão. “Eu estava indo ao encontro da polícia”, disse. Já para o fato do licenciamento vencido, o prefeito alegou que essa questão ele desconhecia. “Não sou eu quem cuida disso”.

A reportagem telefonou ontem para o escritório do Consórcio da Hidrovia Tietê em Jaú com o objetivo de confirmar as informações do prefeito. O funcionário Carlos Alberto Aguera atendeu ao telefone e disse que no momento não dava para comentar o assunto porque ele estava fazendo uma refeição e que retornaria a ligação mais tarde para falar sobre a questão.

Em seguida, o gerente do Consórcio, Wagner Brasil de Barros, telefonou para a redação e confirmou as afirmações do prefeito, sem no entanto precisar o horário exato da reunião. Disse ainda que o expediente no escritório vai até as 18h mas naquele dia a reunião, para discutir o Banco da Terra, ocorreu à noite, já que de dia seria difícil para o prefeito. Wagner afirmou não ter visto o amigo que acompanhava o prefeito naquela noite.

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Introdução da pupunha

No mandato passado do prefeito Moacir Donizete Gimenez (ele foi reeleito em 2000) uma outra situação envolvendo carro oficial da prefeitura entrou para os registros da história de Bocaina.

O Uno foi furtado na rua, também à noite, enquanto o prefeito participava de um encontro num clube da cidade. “Estávamos discutindo a introdução da pupunha (espécie de palmeira) no Município”, justificou Zete na época. Até hoje o carro não foi localizado, segundo informações do prefeito, ontem.