Os trabalhadores do sistema de transporte coletivo urbano estão envolvidos em duas frentes distantes de manifestação em Bauru. Ontem, enquanto o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, pressionava o Executivo contra a instalação de catracas eletrônicas, o grupo de oposição ao comando da entidade ia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para combater regras trabalhistas implementadas pelas concessionárias do setor.
Ontem, Silva distribuiu um comunicado oficial entregue à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) no qual informa que ocorrerão paralisações nas ruas diante da negativa do prefeito Nilson Costa (PPS) em assinar um termo que garanta postos de trabalho, salários e benefícios para os cobradores após a instalação das catracas.
O sindicalista critica o Executivo. “Diante da inércia e da falta de resposta do prefeito em relação à garantia dos trabalhadores, estaremos desencadeando uma série de paralisações relâmpagos a partir da próxima segunda-feira. Pensamos, inclusive, em destinar todos os ônibus do sistema em carreata até a prefeituraâ€, cita.
Silva menciona que a administração municipal vem se negando “sistematicamente†a assinar qualquer acordo visando estabelecer garantias com relação à catraca. “O prefeito usa a alegação descabida de que o prazo das referidas garantias ultrapassaria o tempo de seu mandato. Isso não pode ser motivo para manter a categoria desprotegida e sob o risco de mais sacrifíciosâ€, comenta.
Outro lado
De outro lado, o grupo coordenado por Glaudinês Belmiro da Silva mantém as críticas a Elias e aproveita para recorrer ao Ministério Público do Trabalho para denunciar problemas que estão sendo enfrentados pelos trabalhadores do setor. Segundo o grupo, a direção atual do sindicato não tem dado atenção a esses problemas.
Em requerimento protocolado no MPT, a oposição acusa que as empresas concessionárias estariam se valendo da disputa entre os dois grupos sindicais para impor práticas irregulares. “O problema mais grave refere-se à jornada de trabalho, que hoje é de sete horas e 20 minutos tanto para cobradores quanto para motoristas. Isso está além da legislação, que prevê o máximo de seis horas diáriasâ€, cita o documento.
A oposição também aponta que as concessionárias estariam irredutíveis em negociações importantes. “A preocupação única passa a ser o lucro, enquanto que os empresários insistem em não discutir um intervalo para a alimentação de quatro horas para os empregados, seja no almoço ou jantar, contrariando as disposições da lei trabalhistaâ€, aborda o requerimento protocolado no MPT.
O grupo informa ter realizado uma assembléia no último dia 11, com convocação publicada em edital, na qual foram discutidas questões que preocupam a categoria. “Por unanimidade, os presentes não aceitaram o intervalo para refeições fora do que reza a lei e de acordo com o que é fixado em relação à jornada de trabalhoâ€, assina a oposição.
A situação expõe a divisão da categoria entre os dois grupos que disputam o comando do sindicato. Elias Pinheiro da Silva, presidente da entidade, é criticado por criar obstáculos à participação da chapa de oposição na eleição realizada recentemente, cuja discussão ainda está pendente na Justiça.
Um dos principais articuladores do grupo de oposição, Glaudinês Belmiro da Silva, considera que a atual diretoria tenta desviar o foco das discussões com ameaça de paralisações, enquanto no ambiente de trabalho a categoria sofre com mais sacrifícios.