09 de julho de 2026
Regional

Sindicato alerta para tragédia na linha

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

São Manuel - Moradores de São Manuel e Botucatu presenciaram ontem mais duas situações de perigo na malha ferroviária que corta os dois municípios. Primeiro foi o descarrilamento de 16 vagões perto da Marechal Rondon e em seguida um incêndio numa composição férrea abandonada em Botucatu. O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana acusa descado e cobra providência.

O primeiro acidente aconteceu no final da manhã, em São Manuel. Dezesseia vagões saíram dos trilhos quando a composição passava próximo à rodovia Marechal Rondon, no trevo de acesso à cidade.

Os vagões-tanques estavam carregados com combustível que, segundo a Ferroban, empresa responsável pelo transporte, saiu da Replan em Campinas e seguia para Campo Grande-MS.

De acordo com a Assessoria de Comunicação da Ferroban, o descarrilamento foi provocado porque parafusos que prendem os dormentes se soltaram. Isso teria ocorrido por causa da umidade causada pelas últimas chuvas. De acordo com a Ferroban, a madeira fica inchada com o excesso de água o que causa o problema.

Apesar das justificativas da Ferroban, o diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana, Hélio Maschetti, acredita que o acidente teve como causa a deterioração do sistema e a falta de manutenção da malha.

Ele defende a intervenção do Ministério Público na tentativa de suspender o transporte enquanto as linhas não oferecerem segurança.

Na opinião de Maschetti, a manutenção da linha ferroviária está precária e oferece risco constante. “Em São Manuel, o trem passa dentro da cidade e tem casas a cinco metros da linha. Imagine se um trem descarrila e tomba em cima das casas. Seria uma catástrofe’, avaliou o diretor sindical acrescentando que no caso de ontem, foi por pouco que os vagões não caíram sobre a Rondon. “Já imaginou o perigo?”, questiona.

Em se tratando de material altamente inflamável como é o combustível, Maschetti diz que a preocupação torna-se maior ainda. “Já pensou se pega fogo?”, indagou ele ontem, após visita ao local do descarrilamento.

Maschetti disse que a sorte foi que os vagões não chegaram a tombar o que praticamente afastou o risco do combustível vazar. “Se o óleo vaza e vai para o solo seria uma tragédia para o meio ambiente”.

De acordo com o diretor regional do sindicato, diante do quadro de abandono em que se encontram as linhas, a melhor solução seria parar o transporte sobre trilhos, pelo menos enquanto não houver garantia de segurança.

O sindicalista se diz revoltado com a atual situação. “Parece que enquanto não houver uma catástrofe de um trem tombar, se incendiar e matar um monte de morte ninguém vai tomar providências”.

Com o acidente, o tráfego ferroviário foi interrompido e a expectativa, segundo a Ferroban, era de que a linha fosse liberada na madrugada de hoje.

No início de dezembro último, um outro acidente semelhante já havia acontecido perto da antiga estação Rodrigues Alves, também em São Manuel e como no caso de ontem, não houve feridos.

Investimento

A Assessoria de Comunicação da Ferroban informou ontem que a Brasil Ferrovias, holding que controla Ferroban, Novoeste e Ferronorte, esta última que usa a malha da Ferroban, está anunciando um investimento de R$ 60 milhões para a recuperação da malha ferroviária paulista, nos próximos três anos, com início de obras previsto para os próximos meses.

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Fogo queima vagões e Rede não presta queixa

Botucatu - O Corpo de Bombeiros foi acionado no final da tarde de ontem para apagar um foco de incêndio nos vagões do antigo “Expresso Ouro Verde” que estão em estado de abandono num pátio ferroviário, na área central da cidade.

De acordo com o diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana, Hélio Maschetti, apesar do perigo, ninguém se pronunciou.

A Polícia Militar informou que a ocorrência não chegou a ser registrada em Boletim de ocorrência mesmo porque ninguém apareceu para reclamar algum dano.

De acordo com o sindicalista, essa não é a primeira vez que a composição sofre com incêndio e providências não são tomadas. A reportagem tentou falar com a Rede Ferroviária Federal, responsável pelos vagões, o que não foi possível.