08 de julho de 2026
Rural

Cafeicultor quer fortalecer CDPC

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A saída para a recuperação do setor cafeeiro no Brasil pode ser traçada a partir do fortalecimento do Conselho Deliberativo de Polícia Cafeeira (CDPC). A avaliação consta em um documento preparado por representantes do setor em cinco Estados do País e entregue ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, no início desta semana.

O cafeicultor e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, foi um dos representantes que esteve em Brasília, juntamente com lideranças de Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Goiás.

Segundo ele, o CDPC (órgão do qual o ministro da Agricultura é o presidente) precisaria ter mais autonomia para tomar decisões, porque muitas idéias apresentadas pelos representantes do setor e definidas no conselho acabam sendo barradas pelo Ministério da Fazenda.

“O fato positivo com o qual nós contamos agora é que o ministro é uma pessoa do ramo, de ótimo relacionamento conosco e que conhece bem as dificuldades do setor. Alguma coisa precisa ser feita com urgência porque neste ano teremos uma safra muito pequena, já que em 2002 os resultados foram recorde”, alerta Lima Verde.

No ano passado foram colhidas cerca de 45 milhões de sacas de café no País, o maior número de toda a história dos 270 anos da cafeicultura brasileira. Segundo o vice-presidente da Faesp, neste ano a colheita deve ficar em torno de apenas 40% do resultado de 2002.

“Basicamente, a idéia é fortalecer o CDPC para que o órgão possa tomar decisões e determinar medidas que não demorem a ser adotadas. Isso é um caso sério, porque muitas vezes o CDPC decide mas, em função de todas as interferências, o cafeicultor chega a levar meses para sentir os efeitos na prática. Isso prejudica os produtores”, observa Lima Verde.

Funcafé

Além disso, ele chama a atenção para a necessidade de investir no Funcafé, para que o órgão volte a ter recursos para oferecer financiamento aos produtores.

“O Funcafé precisa ser recapitalizado para ajudar o setor, pois hoje é impossível sobreviver nesse ramo com a saca do café sendo vendida a US$ 45. Quem diz que sobrevive só da cafeicultura hoje está mentindo, porque com esse valor a sobrevivência depende de um milagre”, afirma.

De acordo com Lima Verde, atualmente o cenário está um pouco melhor no Brasil porque os principais concorrentes na produção de café também estão com sérios problemas - como o Vietnã (segundo maior produtor de café do mundo, mas com cerca de 95% da produção se resumindo a grãos de baixa qualidade) - e a Colômbia.

“O que queremos fazer agora para melhorar o quadro no Brasil é parecido com o que o novo governo está fazendo: aproveitar as coisas boas e que deram certo e procurar saídas para o que está errado”, diz o vice-presidente da Faesp.

De acordo com ele, o momento político é ideal para traçar medidas importantes e definitivas para o setor. “O diagnóstico que entregamos ao ministro da Agricultura nesta semana é vasto e possibilita a elaboração de uma série de medidas que podem ser adotadas a curto prazo”, aponta Lima Verde.

Segundo ele, os números sobre a trajetória das exportações de café no Brasil a partir de 1994 (leia quadro nesta página) mostram a necessidade de se adotar medidas urgentes para estimular o segmento.

“Basta olhar os números para ter noção dessa necessidade. De 1994 para o ano passado, a quantidade de sacas exportadas aumentou em mais de dez mil. Em contrapartida, o preço médio da saca caiu mais de 60%. Isso é muito grave, mesmo porque neste ano a colheita será pequena. Em 2003, o custo de produção por saca ficará em torno de US$ 250. Se cada saca for comercializada a US$ 50, o produtor estará perdendo cerca de R$ 70,00 em cada uma”, destaca Lima Verde.

Para a próxima terça-feira já está marcada uma nova reunião com o ministro da Agricultura, que já terá avaliado o documento entregue a ele nesta semana. O vice-presidente da Faesp diz estar confiante em relação aos entendimentos.