09 de julho de 2026
Regional

Taxista de Jaú é vítima de latrocínio

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú - O taxista Geraldo Jamir Santili, 61 anos, que estava desaparecido desde o final da tarde da última quarta-feira foi encontrado morto ontem, vítima de latrocínio. O encontro do cadáver ocorreu após as prisões de José Sartori, 24 anos, de Itapuí, e Adelmo Mariano, 20 anos, de Pederneiras. Os dois confessaram, segundo a polícia, terem matado a vítima a facadas para roubar R$ 300,00 e o veículo Gol.

O taxista, conforme depoimento dos acusados, foi assassinado na quarta-feira à tarde, mesmo dia em que foi abordado e “contratado” para uma corrida entre Jaú e Itapuí.

Ontem, após serem presos em Itapuí, os dois rapazes levaram a polícia até um canavial distante cerca de dez quilômetros da cidade, onde o taxista foi morto e abandonado, junto com alguns de seus documentos pessoais.

A polícia de Jaú começou a investigar o desaparecimento do taxista na quarta-feira à noite quando a mulher dele, Nair Santili, já preocupada com a demora do marido, resolveu pedir ajuda. Ela contou que ele não costumava demorar e quando saía para corridas mais longas sempre a avisava, o que não havia acontecido naquele dia.

A partir de então, o taxista já era tido como desaparecido o que causou grande preocupação por parte de familiares, amigos e colegas de trabalho que no dia a dia convivem com os riscos da profissão.

O delegado Edmilson Marcos Bataier, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), disse que na quinta-feira uma testemunha descreveu com detalhes as características físicas dos dois rapazes que estiveram conversando na quarta à tarde com Santili no ponto de táxi onde ele trabalhava, na rua Edgar Ferraz ao lado da Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio.

Outro fato que aproximou ainda mais a polícia dos acusados foi um telefonema anônimo informando que Sartori fora visto de Gol verde em Pederneiras. Daí em diante, a polícia passou a procurar pelos dois e ontem à tarde em Itapuí localizou Sartori numa praça. Adelmo estava um pouco distante e ao perceber que seu comparsa era detido, fugiu, só sendo encontrado algum tempo após, caminhando em direção à casa de Sartori.

Após serem detidos, informou o delegado, os dois deram os detalhes de como mataram o trabalhador. “Contaram que estavam em Itapuí e foram a Jaú onde Sartori tinha uma audiência no Fórum sobre um outro crime”.

O roubo já estaria nos planos da dupla e a faca já estava com eles. Após deixarem as dependências do Fórum foram até o ponto de táxi e pediram para o taxista fazer uma corrida até Itapuí. Adelmo, com a faca numa caixa de sapatos, sentou-se no banco da frente, ao lado do taxista. Sartori embarcou no banco traseiro.

Conforme relato dos acusados, assim que deixaram a rodovia Jaú-Bauru e entraram no acesso a Itapuí, Sartori mandou o taxista entrar à direita, num canavial e Adelmo anunciou o assalto.

De acordo com os depoimentos, a vítima e os acusados desembarcaram do Gol. “O taxista ficou em pé do lado de fora e o Sartori enfiou as mãos no bolso dele de onde retirou R$ 300,00 enquanto o Adelmo retirou os documentos que estavam no bolso da camisa. O Adelmo sempre com a faca”.

Ainda de acordo com o delegado, nos depoimentos os dois contaram que a vítima tentou escapar. “Porém, acabou sendo alcançado ainda no meio do canavial e tomou a primeira facada pelas costas. Em seguida, o Sartori o imobilizou pelo braço e várias outras facadas foram dadas”, disse Bataier.

Frieza

O delegado informou que os dois rapazes contaram a mesma versão para o crime. “Friamente, o Adelmo confessou aqui para a gente que optou por cortar o pescoço da vítima e desferiu um corte muito profundo na parte da frente do pescoço que ocasionou a morte”.

Em seguida, os dois foram embora e com o carro teriam passado pelas cidades de Pederneiras, Bariri e Arealva. Na madrugada do dia 20 esconderam o carros nas proximidades de Itapuí, perto da casa do Sartori. O veículo ficou trancado e escondido. As chaves do carro ficaram na casa de Sartori onde também teria ficado Adelmo.

A intenção segundo os acusados, era vender o Gol em alguma cidade. Após os depoimentos de ontem, os dois rapazes foram indiciados por latrocínio, crime que em caso de condenação pode resultar em penas que variam entre 20 e 30 anos de reclusão e em seguida foram levados para a cadeia de Jaú onde ficam presos temporariamente enquanto a polícia conclui o inquérito.

Tristeza e revolta

Ontem à tarde, no ponto de táxi da Matriz Nossa Senhora do Patrocínio, o clima era de tristeza. A vizinhança ainda estava assustada e revoltada com a violência que vitimou o trabalhador.

O sargento reformado da Polícia Rodoviária Adão Tomé passava pelo local e disse que a tristeza se justificava porque o taxista assassinado era uma pessoa muito querida na cidade.