A hanseníase é uma doença infecciosa causada por um tipo especial de bactéria chamada Mycobacterium leprae que ataca somente a pele e os nervos periféricos. Na pele, o bacilo manifesta-se com manchas e feridas. Ao atingir os nervos, ele tira a sensibilidade da pessoa ao calor e à dor em várias parte do corpo, além de prejudicar a coordenação motora.
Ao afetar a sensibilidade, a bactéria tira um dos principais mecanismos de defesa do corpo humano. Por isso, o hanseniano pode queimar-se ou ferir-se facilmente. Se uma pedra entra em seu sapato, ele não percebe e a pedra vai lesionando o pé.
Ferimentos crônicos numa mesma região podem, com o tempo, gerar reabsorção óssea, deformidades e até necrose, com conseqüente amputação. Antes da descoberta do tratamento, a doença mutilava as pessoas, causando asco em toda a população.
Até há bem poucas décadas, a pessoa que recebia o diagnóstico de hanseníase era internada compulsoriamente em asilos-colônia e era condenada a nunca mais ter contato com a sociedade.
Como toda doença infecciosa, a hanseníase é uma patologia contagiosa que pode ser adquirida por qualquer pessoa, em qualquer idade. A maioria das pessoas acredita que é preciso tocar na pessoa doente para ser contaminada, mas pesquisas mostram que a transmissão da bactéria ocorre pela respiração.
A bactéria tem um período de incubação que varia de três a cinco anos. Quando a doença se manifesta, os primeiros sinais são manchas brancas ou avermelhadas na pele, que não coçam, não dóem, não transpiram e são insensíveis ao toque e ao calor.
Nesta fase, o portador pode eliminar o bacilo pela tosse, fala ou espirro. Qualquer outra pessoa pode ser contaminada simplesmente inalando este mesmo ar. A partir deste estágio, a progressão da doença é bem lenta.
É aí que está a importância do diagnóstico precoce. Assim que a pessoa inicia o tratamento, ela interrompe a transmissão. Além disso, quanto mais cedo ela descobre o problema, menores serão as seqüelas da patologia.
O tratamento da hanseníase é feito com duas ou três drogas usadas simultaneamente. Os comprimidos são distribuídos gratuitamente pela saúde pública e vêm em cartelas especiais, semelhantes às das pílulas anticoncepcionais.
Cada cartela contém o número exato de comprimidos que deverão ser tomados durante um mês e tem um gráfico impresso na parte de trás indicando o dia do mês em que a pessoa deve ingerir cada comprimido.
O tratamento completo dura entre seis e 12 meses, dependendo da fase em que foi feito o diagnóstico e da agressividade da bactéria. O sucesso depende exclusivamente do paciente. Ele precisa seguir à risca as orientações médicas e não pode ficar nem um dia sem tomar os medicamentos. Fazendo tudo isso, a pessoa estará totalmente curada.