07 de julho de 2026
Saúde

Equilíbrio é prevenção e tratamento

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Como tudo o mais em saúde, equilíbrio é a palavra-chave para prevenir e tratar as dislipidemias (aumento dos níveis de colesterol e triglicérides no sangue). Mais uma vez, a orientação é dieta balanceada e exercícios físicos regularmente.

De acordo com os médicos Ana Gabriela Martins Galesso e João Urias Brosco, o primeiro passo do tratamento é convencer o paciente a promover mudanças radicais em seu estilo de vida. Nos últimos anos, o ser humano tem adotado hábitos de praticidade e conforto que facilitam o dia-a-dia, mas que refletem muito mal na saúde.

A regra número um, portanto, é cortar drasticamente a ingestão de alimentos gordurosos, especialmente os que contêm gordura saturada e colesterol propriamente. “A gordura saturada é aquela que está presente principalmente nos alimentos de origem animal: carne, leite e derivados, embutidos e ovos”, comenta a endocrinologista.

Ela também está presente na gordura hidrogenada e, portanto, em todos os produtos preparados com este tipo de banha: sorvetes, chocolates, salgadinhos do tipo chips, batata frita industrializada e diversos outros alimentos enlatados.

â€œÉ preciso tomar muito cuidado com esse colesterol escondido. Você libera o paciente para comer apenas um ovo por semana. Ele respeita fielmente, mas come um pedaço de bolo que levou seis ovos na receita”, observa Brosco.

Segundo a endocrinologista, o ovo é um dos alimentos mais gordurosos da dieta humana. Uma única gema contém 225 miligramas de colesterol. Para se ter uma idéia, o ser humano adulto deve ingerir não mais de 200 miligramas desta gordura por dia. “Ou seja, uma única gema já excede esta medida”, comenta. Se o ovo for frito, muito pior.

Os frutos do mar - camarão, lula, lagosta, polvo - também são riquíssimos em colesterol, segundo os médicos. E a pele das aves, que devem ser abolidas mesmo quando a carne for cozida ou assada.

Mas como a dieta não pode ser totalmente isenta de lipídios, pode-se substituir a gordura saturada pela insaturada, que pode ser dividida em dois grupos: poli e monoinsaturadas.

As poliinsaturadas são aquelas presentes nos óleos de origem vegetal, de modo geral, com exceção do óleo de coco e óleo de palma (dendê). As monoinsaturadas também são de origem vegetal e incluem o azeite de oliva e a azeitona, o óleo de canola e as frutas oleaginosas (nozes, amêndoas, avelãs e abacate).

“A gordura monoinsaturada é a melhor para a saúde. Além de diminuir o LDL, ela aumenta o HDL”, observa Galesso. Pesquisas comprovam que o aumento de HDL (colesterol bom) no sangue significa maior proteção ao sistema cardiovascular.

Mas vale um alerta: mesmo a gordura insaturada contém um percentual de colesterol. E elas só são saudáveis quando utilizadas “in natura”. Basta aquecer o óleo para ele se transformar em gordura saturada. Por isso, as frituras devem ser restritas ao máximo

Paralelamente, é preciso aumentar a ingestão de fibras na dieta. Elas podem ser encontradas nas frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais. Uma dieta balanceada precisa ter duas frutas por dia, dois pratos de salada crua (com duas ou três cores, principalmente as verde-escuras) e pelo menos duas porções de grãos e cereais por dia.

As fibras funcionam como vassouras no processo digestivo. Como elas não se dissolvem em contato com os sucos gástricos e aderem a gordura, elas carregam boa parte dos lipídios, reduzindo a absorção e acelerando a eliminação deles pelas fezes.

Exercícios

O segundo ponto fundamental para prevenir e tratar as dislipidemias é a atividade física. Praticar um exercício regularmente é fundamental para manter o organismo equilibrado. Além de queimar o excedente de gorduras, o exercício faz aumentar o nível de HDL (colesterol bom) no sangue.

Na verdade, o organismo humano foi projetado para estar em constante movimento. Porém, a evolução tecnológica vem colocando o homem em situações cada vez mais estáticas. Se antigamente era preciso plantar, lavrar, pescar, carpir e colher para ter o que comer em casa, hoje muitas pessoas já fazem suas compras pela Internet ou mesmo por telefone sem movimentar nada além dos dedos.

Escadas rolantes, elevadores, controles remotos, fast food são coisas confortáveis e práticas, mas que tiraram do homem as oportunidades que deveria ter de manter-se ativo. Como passa a maior parte do tempo sentado atrás de uma mesa, num sofá ou dentro de um carro, a queima de gordura diminuiu muito.

Para piorar, no sentido inverso, as guloseimas tornam-se cada vez mais saborosas - e gordurosas. A batata frita em casa não tem o mesmo sabor da industrializada, que é frita em gordura hidrogenada. Os chocolates e sorvetes ganham novas versões a cada dia. Isso vale para uma infinidade de produtos e cai como uma luva para pessoas “moderninhas” que querem mais é comprar pronto.

Por isso, médicos de todo o mundo insistem que todas as pessoas, homens e mulheres, crianças, adultos ou idosos, devem praticar uma atividade física pelo menos três vezes por semana, durante 30 a 60 minutos. “O ideal mesmo é exercitar-se diariamente. No mínimo 30 minutos para quem só quer manter a saúde e pelo menos 60 minutos para quem precisa perder peso”, explica a endocrinologista.

“E um detalhe importante é não se criar uma neurose pela atividade física. Temos observado algumas pessoas tão preocupadas em desenvolver uma atividade física que elas acabam se estressando. Os exercícios devem ser uma forma de lazer, não um negócio forçado. Então, o quarto ou a academia tem que ser um ambiente de descontração, para que a pessoa não se sinta presa numa gaiola”, destaca Brosco.

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Tratamento medicamentoso

De acordo com os médicos, parte dos pacientes consegue reduzir e controlar seus níveis de colesterol e triglicérides só com as mudanças na dieta e prática regular de uma atividade física. Porém, algumas pessoas precisam recorrer aos remédios.

A endocrinologista Ana Gabriela Martins Galesso afirma que as estatinas são os medicamentos de primeira escolha. “Elas predominantemente reduzem o LDL (colesterol ruim) e têm potencial de aumentar o HDL (colesterol bom) e reduzir o nível de triglicerídeo, apesar de ser em menor proporção”, explica.

Quando o problema do paciente é o excesso de triglicérides sozinho, então a melhor opção de medicamentos são os fibratos. Eles também fazem aumentar o nível do HDL, mas atuam muito pouco na redução do LDL.

“Temos também as resinas de troca, que são a melhor escolha na infância, quando o paciente não responde à dietoterapia. Há poucos estudos sobre o uso de medicamentos nesta faixa etária, mas se tivermos que usar, usaremos este tipo de droga”, observa.