Os dois anos consecutivos sem desfile de Carnaval no Sambódromo não mataram as esperanças de que a festa volte a ser realizada em 2004, como esperam carnavalescos e foliões.
Desde já, representantes de escolas de samba da cidade estão cobrando da Prefeitura de Bauru reuniões para que se inicie logo a discussão do Carnaval do próximo ano.
Na opinião de Pascoal Storniolo, presidente da Acadêmicos da Cartola, o Carnaval deve ser pensado e organizado com muita antecedência.
“Se não houver uma mobilização agora dificilmente vai ter Carnaval no próximo ano. Agora é hora de pensar nissoâ€, enfatiza.
Outro aspecto que ele destaca é a importância de que as próprias escolas de samba de Bauru desenvolvam estrutura própria para reduzir a dependência em relação à administração municipal.
“A gente espera que as outras escolas também se estruturem e procurem levantar verba para fazer o Carnaval do ano que vem. Não adianta ficar só pensando em Prefeitura. Hoje, a realidade é outraâ€, diz Storniolo.
Francisco Saes não esconde a vontade de voltar a levar a escola que preside - a Tradição do Mary Dota - ao Sambódromo. “Nós queremos que tenha o Carnaval, mas o que a gente gostaria mesmo é de sair no Sambódromo, que é a nossa casa, o lugar que foi feito para o Carnavalâ€, destaca.
Segundo Saes, as escolas de samba de Bauru ainda têm muita dificuldade para arrecadar recursos por conta própria.
“Esperamos que haja entendimento e que a gente faça o nosso carnaval. Nós respeitamos que a cidade esteja com buracos e com dificuldades, mas o carnaval é a maior festa popular do Brasil e está sendo esquecidaâ€, ressalta o presidente da Tradição.
Lesec
A urgência para o início das discussões sobre o Carnaval de 2004 também é apontada por Aparecida Brito Caleda, presidente da Azulão do Morro, para que a festa seja realizada no ano que vem.
“Espero que o pessoal da Liga (Lesec) comece a discutir o Carnaval de 2004 e pôr alguma coisa em prática. Tem de ser já porque, se deixar para depois, não vai ter Carnaval nem no ano que vem, nem nunca maisâ€, diz Aparecida.
Para que tudo ocorra bem, ela cobra da Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec) mais organização.
Benedito Gomes, mais conhecido por “Tião Brinquinhoâ€, vice-presidente da recém-criada escola de samba Amigos da Fiel, faz críticas semelhantes.
“Precisa de uma boa mexida no pessoal que está organizando o Carnaval em Bauruâ€, afirma. “Eu não sei se a Liga ajuda ou não ajuda. Eu não vejo resultados e acho que as escolas devem se unir maisâ€, acrescenta Gomes.
A Amigos da Fiel e a Azulão do Morro não fazem parte da Lesec.
O presidente da Lesec e da Coroa Imperial, Avelino de Souza, quer que os desfiles de 2004 sejam realizados sob responsabilidade da Liga.
“A gente espera que, para 2004, nós possamos ir ao Sambódromo e fazer um excelente Carnavalâ€, diz.
Souza explica que a prefeitura entraria com a infra-estrutura e a Lesec ficaria encarregada de buscar parcerias junto à iniciativa privada.