08 de julho de 2026
Articulistas

Como apagar o incêndio


| Tempo de leitura: 3 min

A presente situação relacionada com o Iraque, que inclui a questão de saber se Saddam Hussein tem armas de destruição maciça, junto com a ameaça do terrorismo, é um desafio não só para o Oriente Médio como para todo o mundo. Para que este desafio possa ser enfrentado também deve ser tratada adequadamente a causa fundamental do problema no Oriente Médio e Próximo: o conflito israelense-palestino. Na medida em que o enfrentamento se agrava e paralisa, necessita-se com urgência de um novo e mais amplo enfoque político para toda a região.

Em muitos países vemos um crescente questionamento pelo modo como os Estados Unidos conduzem o conflito com o Iraque. Uma razão plausível para isso é o compreensível temor de que Washington não seja capaz de controlar a situação durante e depois da guerra e que afunde o mundo em um caos ainda maior. Ao mesmo tempo, alguns dos argumentos usados contra os Estados Unidos são contraditórios. Os que antes reclamavam que o governo norte-americano levasse às Nações Unidas a questão de um ataque militar contra o Iraque agora estão recomendando que se esqueça uma decisão unânime do Conselho de Segurança da ONU e rechaçando todos os planos para uma campanha militar.

A guerra deve ser a última opção. Por outro lado, Washington deve ajustar sua política com relação ao Oriente Próximo e à região do Golfo. Meu medo é o de que, ao iniciar uma guerra contra o Iraque sem propor como criar um Estado palestino - e ao mesmo tempo sem demonstrar o desejo de que tal ocorra -, surja uma guerra entre diferentes culturas e religiões sobre a qual tanta gente vem prevenindo.

Ao meu ver, há grupos dentro do Islã que querem que isso ocorra. Esta é uma das causas do terrorismo. Esses grupos sabem que o terror leva a opinião pública e a política de Israel para posições mais conservadoras. Por sua vez, isso aumenta a frustração entre a população palestina e tem feito com que cada vez mais e mais jovens escolham se converter em mártires. Os extremistas dos dois lados estão ganhando terreno de maneira crescente: do lado israelense estão aqueles que acreditam que a Cisjordânia pertence a Israel, enquanto na parte árabe-palestina estão os que querem aniquilar o Estado de Israel.

Uma mudança no Oriente Médio e Próximo e o controle do terrorismo só será alcançado se os Estados Unidos terminarem com seu irrestrito apoio às políticas de Ariel Sharon e mudar sua própria política em relação a outros países da região, em especial do Irã. O isolamento desse país por parte dos Estados Unidos apenas fortalece os religiosos conservadores iranianos e enfraquece a oposição e as forças progressistas. Muitos muçulmanos compreendem que necessitam de um Islã diferente da versão antimoderna e antiocidental que lhes oferecem os mulahs, os quais são capazes de se manter aferrados ao poder mediante a exploração da difícil situação dos palestinos e atiçando a desconfiança em relação aos Estados Unidos ,devido à sua presença no Golfo e na Ásia Central.

Como a União Européia, os Estados Unidos deveriam ter um “diálogo crítico” com o Irã para restabelecer ligações econômicas e políticas. se este país puser fim ao seu apoio a grupos como Hezbolah e Jihad Islâmica. O mesmo seria desejável para os demais países do Golfo, cujos antecedentes em matéria de direitos humanos, e dos femininos em particular, são ainda piores. (O autor, Thorbjorn Jagland, é deputado do Partido Trabalhista e presidente da Comisão de Relações Exteriores do Paralmento noruegês. Foi primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Noruega)