08 de julho de 2026
Geral

Idoso é o tema deste ano na Campanha da Fraternidade

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

A Campanha da Fraternidade 2003 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) terá seu lançamento oficial no dia 9 de março. Neste ano, o tema - “Fraternidade e Pessoas Idosas” - pretende abordar as ações concretas e a preparação espiritual para lidar com o crescente aumento da expectativa de vida no Brasil e, conseqüentemente, com uma sociedade mais velha.

De acordo com um dos elaboradores do texto-base da campanha, médico geriatra João Batista Lima Filho, o primeiro passo será fazer com que a sociedade “destrua” mitos e preconceitos que envolvem os idosos, como o de que eles são todos doentes, rabugentos, um peso para a sociedade ou incapazes de aprender coisas novas.

Lima Filho explica que a campanha é baseada em três etapas: ver, julgar e agir. A primeira aborda o conhecimento da comunidade a respeito da velhice. A segunda etapa é uma reflexão de cunho religioso do papel do idoso e, a terceira, o agir, é a que mais exige participação da sociedade.

O médico, que atua na área da geriatria e gerontologia desde 1980 e é coordenador da Pastoral da 3.ª Idade da CNBB no Paraná, afirma que a preocupação principal da campanha são os idosos dependentes, ou seja, que têm algum tipo de doença crônica que exige auxílio de terceiros. “Assim como a opção prioritária da Igreja é com os pobres, dentre os idosos a opção preferencial é com os dependentes”, explica Lima Filho.

De acordo com o texto-base da campanha, 40% das pessoas acima de 65 anos necessitam de ajuda para realizar algum tipo de atividade, como preparar refeição ou fazer compras. Destes, pelo menos 10% precisa de auxílio diário, como para se vestir ou tomar banho. Diante disso, Lima Filho declara que é comum na experiência clínica ou pastoral encontrar casos de abuso ou abandono contra os idosos.

“Em todo o mundo existe abuso contra idosos. O que acontece é que em países de primeiro mundo há denúncias e a lei funciona. Aqui no Brasil, as próprias pessoas idosas têm medo de denunciar o familiar, o cuidador ou o próprio asilo, porque se puser na balança lucro e prejuízo, a denúncia dele acaba trazendo mais prejuízo com o passar do tempo”, diz o geriatra.

Para ele, a “vantagem” do tema da Campanha da Fraternidade deste ano em relação às últimas - povos indígenas e dependentes de drogas - é sua grande capacidade de abranger todas as esferas da sociedade e da vida cotidiana. “Em todo lugar que você vai, seja na missa, na fila da padaria ou mesmo em casa, sempre há um idoso a seu lado”, conclui Lima Filho.