Araraquara - O perímetro urbano de Araraquara, com cerca de 80 quilômetros quadrados, possui nada menos do que 60% da área em forma de vazios urbanos. Este é o resultado de um inventário feito pela arquiteta Alessandra Lima, orientanda do secretário municipal de Desenvolvimento Urbano de Araraquara, Luiz Antônio Nigro Falcoski, em sua tese de mestrado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O vazio urbano não é apenas aquele formado por grandes glebas de terrenos baldios. Até mesmo edificações que já não cumprem seu papel social, como por exemplo, a antiga fábrica da Anderson Cleyton, são consideradas vazios urbanos. A pesquisadora também encontrou praças em que, apesar da manutenção, da iluminação e da jardinagem, não atraem os usuários da região, são os chamados vazios institucionais.
“Araraquara caracteriza-se pela grande quantidade de vazios intersticiais (intervalo), apresentando uma forma urbana rarefeita, uma horizontalização espacial acentuada nas áreas periféricas e processo de verticalização nas áreas centrais.â€
A conseqüência do que os acadêmicos chamam de uma cidade rarefeita é o alto custo de vida. Pela estratégia do mercado, as populações de baixa renda são obrigadas a urbanizar regiões mais distantes. Entre estes novos bairros e o Centro da cidade são formadas lacunas. O objetivo do especulador é valorizar a área com a ocupação ao redor.
Para atender a essa população pobre, a cidade consome mais recursos para fornecer transporte público, estender as redes de coleta de esgoto, abastecimento de água e energia elétrica, asfalto, equipamentos e serviços públicos que a prefeitura é obrigada a instalar.
Há casos em Araraquara, como o Jardim Del Rei, por exemplo, em que os moradores são obrigados a percorrer uma distância de mais de 12 quilômetros para chegar até o Centro. Essa forma desordenada de crescimento é ineficiente, consome excessivos recursos da cidade e contraria a noção de sustentabilidade.
Uma definição básica da cidade sustentável é atender as necessidades da população sem comprometer os recursos indispensáveis às gerações futuras que estarão instaladas na região.