O presidente do planeta anuncia seu próximo crime em nome de Deus e da democracia. Assim, calunia a Deus. E também calunia a democracia, que a duras penas tem sobrevivido no mundo apesar das ditaduras que os Estados Unidos vêm semeando em todas as partes há mais de um século. O governo de Bush, que mais do que um governo parece um oleoduto, precisa apoderar-se da segunda reserva mundial de petróleo, existente no solo do Iraque. Além disso, precisa justificar a dinheirama de seus gastos militares e precisa exibir no campo de batalha os últimos modelos de sua indústria armamentista.
Trata-se disso. Todo o resto é pretexto. E os pretextos para esta próxima carnificina ofendem a inteligência. O único país que usou armas nucleares contra a população civil, o país que jogou as bombas atômicas que aniquilaram Hiroshima e Nagasaki, pretende nos convencer de que o Iraque é um perigo para a humanidade. Se o presidente Bush ama tanto a humanidade, e realmente quer conjurar a mais grave ameaça contra a humanidade, por que não bombardeia a si mesmo, em lugar de planejar um novo extermínio de povos inocentes?
Imensas manifestações invadem as ruas do mundo. A humanidade está farta de ser usada como desculpa por seus assassinos. E está farta de chorar seus mortos ao fim de cada guerra: desta vez quer impedir a guerra que vai matá-la. (O autor, Eduardo Galeano, é escritor e jornalista uruguaio)