09 de julho de 2026
Política

Modelagem mudará hábito de usuário

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A direção da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) vai apresentar hoje, às 15h, na Câmara Municipal de Bauru, o projeto de modelagem com o qual promete tornar o sistema de transporte coletivo urbano de Bauru racional, reduzindo o número de ônibus e provocando a mudança de hábitos dos usuários. Para tanto, também poderão ocorrer demissões.

Para transformar o sistema, a empresa municipal terá que mexer em velhas feridas do sistema: diminuir o número de linhas, alterar itinerários, pontos de embarque e desembarque e horários e resolver os problemas de demanda ociosa e reprimida. O estudo prevê que 40% das linhas serão alteradas. Hoje, 260 veículos rodam 1,6 milhão de quilômetros/mês e transportam 4,5 milhões de passageiros/mês.

O projeto de modelagem a ser implantado a partir do mês de abril próximo exigirá a reeducação do usuário e implica em demissões. “A sociedade terá que dizer se quer o sistema do jeito que está, deficitário e de custo elevado, ou vai querer um sistema eficiente, com alto grau de satisfação. Para isso, são necessárias mudanças que não vão mexer só no mapa das linhas, mas também implicam em redução no número de ônibus e linhas”, alerta o diretor do Sistema Viário da Emdurb, Waldomiro Fantini Jr.

A revisão a ser apresentada hoje aponta redução do número de linhas das atuais 76 para 55 e a retirada de 33 ônibus das ruas. Em uma conta simplista, a reformulação do sistema, necessária de um lado, exige a renegociação da situação de cerca de 70 empregados. “O sistema está inchado, com linhas sobrepostas. Ou nós fazemos a modelagem ou o custo do sistema explode. O déficit operacional é enorme e pressiona muito as empresas”, cita Fantini.

O diretor da Emdurb afirma que a população será beneficiada com as mudanças. “As linhas serão melhor distribuídas e os intervalos de ônibus serão mais adequados. Nós estimamos que a revisão resultará em economia de cerca de R$ 500 mil por mês. Quanto às demissões, elas serão produto de negociação das concessionárias com os trabalhadores porque não há como negar que há mão-de-obra excedente”, menciona. Hoje, o prejuízo mensal supera a R$ 600 mil.

A implantação da modelagem dos coletivos é esperada há pelo menos quatro anos. Ainda neste governo, a Emdurb contratou um estudo, em meados do ano 2000. “Aquele projeto não foi descartado. Ele foi realizado como base para a integração, a bilhetagem, e também previu a licitação das linhas da ECCB que foi realizada em seguida. Agora chega a vez da reformulação do sistema”, menciona o diretor.

Modelagem

O projeto operacional a ser discutido na audiência pública de hoje foi desenvolvido com base na análise da oferta e demanda dos serviços, considerando as linhas desejadas pelos usuários. Foram 15 mil pesquisas com pessoas dentro dos próprios ônibus, identificando itinerários, reclamações e pedidos.

O presidente da Emdurb, Edmilson Queiroz Dias, aponta que o estudo é fruto de parceria com a iniciativa privada. “Nós não estamos apresentando um estudo sob a ótica das concessionárias. Nós estamos apresentando um projeto feito em parceria com a iniciativa privada e revisado pelo setor técnico da Emdurb, a partir do Plano de Transporte Público”, defende.

A empresa municipal reconhece que o estudo a ser divulgado hoje contempla boa parte de conclusões que fizeram parte da modelagem do ano 2000. “Os principais problemas do sistema, como transposição de linhas, número excessivo de carros e problemas com intervalos e itinerários são confirmados. O que nós temos agora é um modelo adequado à nova realidade e concebido a partir da revisão para depois fazer a integração de linhas”, diferencia Dias.

O projeto confirma que o sistema é caótico e altamente deficitário. “As pessoas podem até estar mal acostumadas com uma variedade de opções de pontos e ônibus em diferentes bairros. Mas isso, no fim, encarece para o próprio usuário. A modelagem vem para eliminar ao longo do tempo a pressão sobre o custo operacional e vai oferecer uma opção revisada, atual”, enfatiza Fantini.

Entretanto, a demora na reestruturação das linhas colaborou para o acúmulo de uma dívida na Câmara de Compensação Tarifária (CCT) que supera a R$ 7 milhões. Boa parte desse déficit é fruto dos problemas operacionais que persistem nos últimos anos. “A administração municipal cumpriu seu papel de dar nova dinâmica ao transporte coletivo com a licitação e isso ainda rendeu R$ 8,6 milhões pelos novos contratos. Agora chega a etapa da modelagem para fazer os ajustes”, diz Edmilson Dias.

Fantini resume o que se deve esperar das mudanças: “Temos que estancar a sangria que está aí. Ou a sociedade colabora e a modelagem sai ou o sistema explode. Não há mágica. Tem que fazer a revisão”, finaliza. O projeto a ser divulgado hoje para a opinião pública foi apresentado para o Conselho de Usuários do Transporte Coletivo.