09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Coisas de um mundo "moderno"


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Se você já passou dos trinta anos de idade, pense e relembre seu tempo de infância nas ruas pacatas de Bauru ou de sua cidade natal. E tente forçar a memória para ver se os fatos abaixo citados faziam parte de seu cotidiano. Um médico renomado especializado em cirurgia plástica mata sua paciente e depois esquarteja seu corpo em inúmeros pedaços de forma selvagem, agindo em seguida como se nada houvesse acontecido em a seu redor. Um advogado famoso entra numa penitenciária de segurança máxima para conversar com seu cliente, e aproveita para entregar-lhe um celular, uma arma e algumas gramas de cocaína.

Um garoto inofensivo, sem passagem alguma pela polícia, bom filho, bom aluno, adquiri uma arma e munição numa loja em Jaboticabal de forma irregular. No dia seguinte entra numa escola de Taiuva, cidade próxima à Ribeirão Preto, e atira em diversos alunos, professores e funcionários que até outro dia eram seus colegas de jornada estudantil. Um pai que está em processo de separação com sua mulher resolve matar sua filha de apenas dois anos de idade, como forma de vingança pela fim de seu casamento, em Belo Horizonte.

Uma menina rica, mimada, com excelente educação e aparentemente bem tratada por seus pais, começa a namorar um viciado em drogas. Apesar de estar cursando uma ótima faculdade, ter um carro zero e uma boa mesada, ela se revolta e resolve junto com o namorado assassinar friamente seus próprios pais de forma covarde e cruel. Para qual caminho está se dirigindo nossa sociedade? Era essa a expectativa que tínhamos do século XXI? E a Justiça, o que fez nesses últimos trinta anos para acompanhar a evolução da criminalidade para poder punir com mais rigor essas barbáries que acontecem diariamente.

A impressão que temos é de que nossa sociedade regrediu e passou a aceitar esses fatos e muitos outros como normais em suas vidas. A criminalidade evolui e cresce assustadoramente enquanto nosso código penal é obsoleto. Nossas autoridades não fazem nada para reverter esse quadro de verdadeira epidemia que nos preocupa e assusta. Nossa força policial usa o mesmo equipamento de trinta anos atrás, enquanto os marginais usam metralhadoras israelenses, pistolas americanas e fuzis de guerra com munição letal.

Existem, é claro, dezenas de razões que tentam explicar do ponto de vista social ou psicológico os motivos de tanta agressividade, mas precisamos entender que nada justifica que milhares de vidas sejam ceifadas, sem que seus autores recebam a justa punição em tempo integral, sem atenuantes por bom comportamento, sem indultos de quaisquer natureza e com muito trabalho pelo tempo em que permanecerem sob a custódia do Estado. A fortuna que o Estado joga fora para manter bandidos fazendo rebelião e comandando o tráfico da prisão poderia ser carreado para a educação de nossos jovens, bem como para a geração de empregos. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)