Produtores rurais orgânicos da região de Bauru deverão ver suas vendas crescerem a partir deste mês com a obtenção de um selo de qualidade. Há cerca de duas semanas, a Associação de Produtores Rurais Orgânicos do Centro-Oeste Paulista (Aprocop) foi informada de que o Instituto Biodinâmico (IBD) garantiu o certificado de qualidade de orgânicos produzidos por seus integrantes.
De acordo com a engenheira agrônoma Larissa Cirillo de Rezende Barbosa, da diretoria da Aprocop, o selo da IBD confere à produção orgânica trânsito livre em supermercados ou restaurantes. “Se não houver certificado que garanta que o produto é orgânico, não há como o consumidor ter a certeza de que é orgânicoâ€, diz.
Atualmente a Aprocop tem certificado de qualidade para palmito de pupunha, café, abacaxi, laranja e hortaliças em geral, produzidas por agricultores de Bauru, Piratininga, Avaí, Arealva, Iacanga e Garça, sede da associação. Larissa diz que também está pleiteando o selo para as produções de banana, mandioca, milho e lichia.
A agrônoma conta que, da criação da associação até a obtenção do certificado, se passaram menos de três anos. Para aprimorar a técnica da produção orgânica e mercadologia, a Aprocop contou com programas do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), como o Sistema Agroindustrial Integrado (SAI) e o Instituto de Economia Agrícola (IEA).
Segundo Larissa, com a certificação do IBD o produto orgânico da região ganha, inclusive, reconhecimento internacional de qualidade. As normas, diz a agrônoma, diferem de acordo com a entidade escolhida para as inspeções e certificações. “Cada produtor ou associação tem que escolher uma certificadora. A maioria é internacional, e cada uma tem suas normasâ€, declara.
Larissa afirma que, além da produção sem uso de agrotóxicos, há uma “preocupação social†por parte das certificadoras. “Todos os trabalhadores devem ser registrados, com condições de moradia, e tem também a questão do meio-ambiente: a produção deve ser totalmente correta, preservando rios e matasâ€, diz.
Após concluir as primeiras certificações, Larissa conta que o próximo passo da Aprocop é criar uma central de comercialização, com o objetivo de facilitar a venda da produção. Segundo a agrônoma, o mercado de orgânicos cresceu 50% no ano passado em relação a 2001.
Vendas
O produtor rural Massao Sassaki, de Bauru, associado à Aprocop, está apenas esperando receber a carta de aprovação da qualidade de seus produtos para começar as vendas na cidade. Atualmente ele produz em seu sítio cerca de 3 mil pés de tomate, entre 500 e 1.000 pés de hortaliças em geral, além de outros legumes, como pepino, quiabo e pimentão.
Segundo Sassaki, alguns de seus produtos já são comercializados em feiras-livres, mas apenas a certificação obtida no início do mês pode garantir retorno ao investimento na produção orgânica, cujos custos são mais altos.
Para viabilizar as vendas, Sassaki está se unindo a outros produtores próximos. Antônio Rubens Neto, também de Bauru, está produzindo hortaliças e tomate. Maurício Nanni, de Avaí, produz abacaxi e pretende certificar sua produção de ovos orgânicos.