09 de julho de 2026
Geral

Epidemia de dengue se espalha pelos quatro cantos da cidade

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A falta de registro de casos de dengue provocou a epidemia que se espalha pelos quatros cantos da cidade. A observação é do coordenador do Programa de Combate à Dengue do Departamento de Saúde Coletiva (DSV) do Município, Flávio Tadeu Salvador. Anteontem, outros dois casos foram confirmados, elevando para 12 o número de pessoas infectadas na própria cidade.

“Se os casos tivessem sido notificados antes, conseguiríamos bloquear a transmissão desde o começo. Como em janeiro desse ano o assunto não foi tão alardeado quanto no ano passado, muita gente deve ter contraído a doença e nem percebeu. Nem a classe médica estava tão atenta”, explica Salvador.

Essa suposta tranqüilidade é decorrente dos números. Em janeiro do ano passado, o DSC já havia 94 casos suspeitos notificados, sendo um deles autóctone, e outros dez importados. Nesse ano, os suspeitos não passavam de 48 e não havia registro de positivos.

“Além disso, a dengue tinha explodido no Rio de Janeiro e começava a ameaçar a cidade de Santos. Era notícia todos os dias, as pessoas estavam atentas e procuraram os postos de saúde. Por outro lado, neste ano, conversamos com moradores de regiões de risco que sentiram os sintomas, mas os confundiram com gripe”, lembra Salvador.

Devido à dificuldade, atualmente há registros de casos nas zonas sul, leste, oeste, centro e sudoeste. Outras 71 pessoas estão sob suspeita, das quais 11 somente num raio de 500 metros da Vila Falcão, de onde os novos casos foram confirmados.

“Vivemos uma situação de emergência. Como as áreas de atuação não são restritas, as ações de combate são mais complexas. Para bloquear adequadamente a transmissão doença em toda a cidade teríamos de contar com número quatro vezes maior de funcionários. Hoje somos em 100. A subnotificação atrapalha em 100% nosso trabalho”, ressalta.

Na opinião de Salvador, outro fator extremamente preocupante é o fato de 70% das residências visitadas apresentarem a larva do mosquito Aedes aegypti. O percentual foi considerado altíssimo pela diretora do DSV, Maria Helena Abreu, em matéria publicada há uma semana.

Por essa razão, os órgãos de saúde continuam pedindo que a população colabore no trabalho de combate ao mosquito eliminando qualquer tipo de utensílio que possa acumular água parada, especialmente vasos de plantas, pneus, latas e caixas d’água.

Qualquer pessoa que constatar febre persistente associada a outros sintomas, como dores de cabeça, dores no corpo, possíveis náuseas, vômitos e diarréia deve procurar o serviço de saúde mais próximo.