09 de julho de 2026
Saúde

Fase da gagueira dura seis meses

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Uma situação que costuma preocupar muito os pais no período de aprendizado da fala é a gagueira. De acordo com a fonoaudióloga Liliane Campos Stumm, existe uma fase em que gaguejar é um acontecimento normal.

â€œÉ uma fase bastante conturbada, que ocorre por volta dos dois anos. A criança começa a buscar certa independência. Ela quer manipular mais as coisas, que tomar banho sozinha, quer se trocar sozinha e ela quer verbalizar tudo isso”, explica.

Apesar de começar a aprimorar seu vocabulário e de conhecer um volume bem maior de palavras, ela nem sempre terá um potencial lingüístico suficiente para transmitir aos outros tudo aquilo que pensa. Então, ela usa o processo da disfluência (gagueira) para tentar buscar no cérebro a continuação do que quer dizer.

Em termos comparativos, é como um adulto que aprende um segundo idioma. Em determinada fase do curso, a pessoa sabe que já consegue construir frases inteiras, mas ainda engasga na hora de dizer algumas palavras.

“Para que a fala seja bem produzida, você precisa da coordenação motora, do fator emocional, do fator cognitivo, tudo muito bem estruturado. Se houver falhas (ansiedade, esquecimento da palavra, etc.), ela pode não conseguir uma boa mobilidade dos órgãos fonoarticulatórios e pode ter um comprometimento da fala”, esclarece.

Segundo a especialista, algumas crianças passam por essa fase de modo quase imperceptível. Em outras, porém, a disfluência é bem acentuada, causando nos pais o temor de que o filho seja gago.

Ela informa que, neste momento, os pais precisam ter paciência para escutar a criança e esperar que ela consiga terminar as frases no ritmo dela. Essa fase tende a desaparecer sozinha em até seis meses, conforme a criança vai adquirindo um repertório maior e mais confiança na elaboração das frases.

No entanto, temendo que os filhos fiquem gagos, os pais costumam repreender a criança nesta etapa. Alguns apenas interrompem a frase para pronunciar a palavra corretamente, outros pedem que ela fale mais devagar, que respire e se acalme antes de falar. São atitudes inadequadas, segundo a fonoaudióloga.

“Se os pais forem muito críticos, exigentes, cortando o raciocínio e dando bronca na criança na frente de outras pessoas, eles podem promover o desenvolvimento de uma imagem negativa”, explica.

Ela observa que a criança vai criar uma preocupação excessiva em falar bem, mas num momento em que ela ainda não tem suas estruturas cognitivas, neurológicas e orgânicas plenamente aptas para isso, ou seja, não depende dela. “Então, ela acaba ficando tensa e essa tensão dificulta o desenvolvimento e pode levar à gagueira como disfunção”, comenta.

Ela ressalta, porém, que se a gagueira persistir por mais que seis meses, sem que os pais percebam melhora no quadro, é importante procurar o fonoaudiólogo. “Ao contrário do que muitos pensam, a gagueira tem cura sim e quanto mais cedo se procura ajuda, mais fácil é o tratamento”, completa.