09 de julho de 2026
Geral

Neve e fantasias infantis salvam vendas

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Sem desfile no Sambódromo, com escolas utilizando materiais alternativos nos bairros e os clubes unificando a folia, os comerciantes de artigos carnavalescos ainda não comemoram aumento nas vendas neste Carnaval. Esperam que até terça-feira os foliões agitem as lojas, mas por enquanto apenas os sprays de neve artificial e fantasias para crianças alavancaram as vendas.

O comerciante Ericson Lopes Leandro é um dos poucos que estão “pulando” com o faturamento. Ele conta que em relação ao ano passado já vendeu 30% mais. Ele foi salvo pelo Homem-Aranha, cuja fantasia é a mais procurada este ano. A roupa e a máscara custam R$ 60,00 e mesmo sendo a mais salgada da vitrine, até a manhã de ontem faltava vender apenas três peças das 42 do estoque do tradicional magazine de artigos carnavalescos.

Apesar do modismo, Leandro comenta uma mudança de comportamento do consumidor que não borda mais a sua fantasia, não deixa de comprar, mas leva fantasias baratas, que custam de R$ 15,00 a R$ 30,00.

“As vendas foram bem melhores que no ano passado, graças às crianças. As escolas de samba até fizeram pesquisa e compraram uma coisa ou outra. No mais, são só acessórios e brinquedos”, conta o comerciante referindo-se à venda de máscaras e tintas laváveis para os cabelos.

Os preços em relação ao ano passado também subiram de 12 a 25%. Os sprays de tintura que custavam R$ 6,50 em 2002 saltaram para R$ 8,00, um aumento de mais de 20%.

A gerente de uma das mais antigas lojas de armarinhos da cidade, Tânia Ribeiro Soares concorda com Leandro quando ele diz que o comportamento do carnavalesco bauruense mudou, mas não comemora o aumento nas vendas.

“Foi um ano devagar, talvez o pior dos últimos quatro anos. Faz falta o Carnaval de rua”, lamenta, mas mantém a esperança de que amanhã, segunda-feira, tenha uma procura de última hora.

Ela conta que em virtude do baixo faturamento em tempos de folia, a loja já não investe mais como em carnavais passados.

“A turma dos clubes já não investe nas fantasias luxuosas, optam pelo original e o barato. Prova disso, a peça que mais vendemos foi uma saia havaiana que pode ser bordada e casar com qualquer biquíni velho reformado. Com menos de R$ 10,00, a fantasia está pronta.”

R$ 1,99

Os magazines e lojas de R$ 1,99 também apontam que não venderam como no ano passado apesar dos preços baixos.

Nos dois casos, a neve artificial liderou as vendas, seguida pelo confete e as cornetas. “Até agora vendemos bem, mas não como no ano passado”, comenta a vendedora Sandra Helena de Oliveira.

Por menos de R$ 10,00 é possível montar um arsenal de folia com neve, um saco de confete, rolos de serpentina, corneta, martelo e colar. Mas ao que tudo indica, o folião não está muito animado com o reinado de Momo, não. A vendedora Michele Rodrigues acha que os consumidores perderam o ritmo do samba e das compras.

O ano começa agora

No País do Carnaval, onde a vida do brasileiro só começa a fluir depois da quarta-feira de Cinzas, os comerciantes estão se programando para novas ações com o intuito de aquecer o mercado, que anda em baixa com a alta dos juros, do dólar, dos impostos e tarifas bancárias.

“O comércio só vai pegar fogo mesmo no Dia das Mães”, dispara Francisco Alberto Franco de Bernardes, presidente da Associação dos Lojistas do Calçadão.

Ele aponta que a falta de liquidez do mercado e as altas taxas dos crediários fizeram com que o consumidor parasse de comprar.

“Fevereiro foi um mês amargo. O Carnaval de Ofertas está sendo realizado para reverter esse quadro”, admite o comerciante, que revela que muitas lojas estão operando com preços para a desova de estoque e entrada de capital para quitar as suas duplicatas.

Por isso, afirma que neste momento o consumidor que tiver dinheiro no bolso ou no banco tem grandes chances de fazer excelentes negócios. â€œÉ uma liqüidação verdadeira”.

Bernardes aponta que os reflexos da nova política econômica só devem ser sinalizados no segundo semestre, pois até agora o poder de compra do trabalhador continua reduzido. “O problema é nacional, não é só de Bauru. O cenário ainda não mudou.”