08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Texto do Dia Internacional da L.E.R.


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Não temos nada a comemorar, antes não houvesse este dia, se ele existe é para lembrar-nos de que algo está errado, pois não é comemoração, seria se os índices de pessoas portadoras da lesão tivessem caído drasticamente. Infelizmente a repugnância e a discriminação que o portador de L.E.R./D.O.R.T. tem da sociedade é muito grande, comparado até ao portador da Aids. A sociedade o vê como uma pessoa normal, pois tem seu corpo perfeito, aparentemente. Trabalhando com portadores deste tipo de lesão há mais de sete anos, tendo assistido a mais de duas mil pessoas, ouvindo relatos, fatos, queremos transmitir a esta sociedade que discrimina o seguinte: ouvimos de alguns que rogaram para ter seu braço amputado, pois talvez a sociedade pudesse ver sua dor, tendo o braço, ele tem tantas dores que não consegue realizar as tarefas mais simples, até mesmo sua higiene pessoal e ninguém acredita neles, acham eles que não tendo o braço não sentirão dor e também terão a credibilidade da sociedade. Tamanha a discriminação e falta de credibilidade e sensibilidade daqueles que não sabem realmente o que é viver com este problema.

Trata-se de doença que severa grandes seqüelas ao portador, de tal maneira a lhe tirar também a parte de lazer e de convívio familiar, no caso de uma mãe que tem filho pequeno, grande é sua frustração visto que não pode ao menos segurar seu filho aos braços, que ao pegar um simples copo o deixa cair, pois não tem mais sensibilidade e noção de força nas mãos, como quebra o copo ao cair no chão pode também cair seu filho de seus braços, tirando o direito de gozar dos prazeres de criar um filho com o carinho que lhe queria dedicar. No trabalho os colegas os chamam de “lerdeza”, pois não consegue acompanhar o ritmo alucinante da produção em linha, só param de falar quando também começam a sentir dores.

Para este fato tão triste temos um ditado: “Ninguém pode medir a dor de uma pessoa, pois ela é como o sabor da comida que o outro comeu, só ele sabe”. Infelizmente, em nossa cidade muita gente está sentido o gosto da comida que o outro comeu, estão ficando doentes pela falta da aplicação das Normas de Segurança do Trabalho. Estamos alertas, trabalhando incessantemente para que possamos agir cada vez mais preventivamente, atuando no cerne da questão, evitando que mais pessoas fiquem doentes, mas lutamos contra o poder econômico, pois as empresas precisam competir no mercado aberto, precisam ter preços, com isto tem que ter maior produção com menos custo (leia-se entre um dos fatores: empregado), enfim o custo Brasil, em razão da carga tributária inviabiliza praticamente a ação preventiva.

O mesmo tempo que precisamos punir quem não respeita as Normas de Segurança, temos que manter as empresas abertas para gerar empregos, pois não queremos deixar de ter pessoas doentes porque não tinham trabalho para realizar, mas sim porque realizaram o trabalho de modo certo. Para piorar o quadro todo, existem médicos que sabem o que é a doença e tratam os portadores como “vagabundos”, falam que não querem trabalhar, “que não é nada, passa logo”, “toma um analgésico e volta para o trabalho”, não atuam como deviam no setor produtivo, conhecendo do ambiente do trabalho, para coibir tais problemas.

O INSS também não fica para trás, dá altas mesmo para pessoas que têm dores, que tem seqüelas, sem que passem por uma reabilitação profissional, prejudicando ainda mais as pessoas, pois retornam ao mesmo trabalho, aquele que os lesou. É para coibir tudo isto que nos dispomos a montar em 1.997, a Alerb – Associação dos Lesionados por Esforços Repetitivos de Bauru e Região, que fica na Rua Manoel Bento Cruz, 5-6, Bauru-SP, fones: 014-227-7479/227-8886, que atende as pessoas nos seguintes horários: 4ª, 5ª e 6ª, a partir 18h15, aos sábados a partir da 8 horas. Visite nosso site: www.alerb.com.br Nossos e-mails: ler@alerb.com.br e dort@alerb.com.br