07 de julho de 2026
Regional

Micro supera crise e ainda exporta

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Bariri - Uma microempresa que enfrentava dificuldades administrativas e de produção troca a Capital pelo Interior, ganha orientações de “sobrevivência”, supera a crise e expande sua produção para o mercado estrangeiro. Trata-se da Tum Brasil - fabricante de instrumentos musicais que integra o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial (incubadora de empresas) de Bariri.

A empresa está instalada na cidade há apenas seis meses e já atingiu uma produção média de 500 peças por mês. Ao todo são fabricados 120 modelos diferentes de instrumentos de percussão, que incluem timbas, zabumbas, pandeiros, bumbos, tamborins e muito mais.

No Brasil, os principais alvos da fábrica são as baterias de escolas de samba, bandas, fanfarras e revendedoras, além da produção de instrumentos de uso sinfônico (para orquestras, por exemplo). Mas a Tum Brasil já conquistou a Europa e exporta cerca de 300 a 400 peças bimestralmente para um distribuidor francês.

A empresa começou pelas mãos de Gilson Geremias da Silva, 32 anos. Ele conta que tinha 11 anos quando resolveu procurar um emprego. “Eu morava do lado de uma fábrica de instrumentos e pedi para trabalhar lá. No começo, eu só ajudava na montagem e ganhava um salário mínimo”, lembra.

Dez anos mais tarde, com problemas administrativos e uma dívida de dois apartamentos, o proprietário da empresa anunciou sua falência e propôs entregar a fábrica em troca do repasse da dívida. O então funcionário Gilson tornou-se sócio do cunhado do patrão, a transferência foi efetivada e eles assumiram o controle da empresa.

“Levamos oito anos para pagar a dívida. Quando cumprimos este compromisso, em 1991, eu achei melhor desfazer a sociedade, porque eu queria crescer, tinha idéias novas, queria criar coisas e, na época, não era possível”, comenta.

O ano era 1999. Os três irmãos pegaram a metade do maquinário da antiga fábrica e recomeçaram. Surgia, na Capital paulista, a Tum Brasil. Porém, inexperientes em gestão administrativa, os novos empresários enfrentariam inúmeras dificuldades.

“Um belo dia, um amigo nosso disse que estava vindo para Bariri a convite de outro amigo dele que trabalhava na incubadora. Como temos parentes em Bauru, resolvemos vir junto e demos uma carona para ele. Quando chegamos a Bariri, conhecemos a coordenadora da incubadora. Ela nos falou do projeto e, através do diálogo, mostrou que o núcleo oferecia tudo aquilo de que precisávamos”, relata.

Os irmãos deixaram tudo para trás, fecharam as portas da fábrica e trouxeram o que tinham para a pequena cidade interiorana. Eles instalaram parte de seu equipamento num dos boxes da incubadora e a outra parte num galpão que lhes foi cedido pela prefeitura da cidade.

“Apesar de eu já ter toda essa experiência - 22 anos trabalhando com instrumentos de percussão -, eu não tinha experiência administrativa. A gente até sabia cuidar, mas não tinha um projeto, um planejamento. A incubadora nos ofereceu todo o alicerce para que pudéssemos pisar firme e crescer com consciência de mercado e atentos às novas tecnologias”, garante.