A feira do rolo - local tradicional da cidade em que são vendidas e trocadas as mais diversas mercadorias- está ameaçada. Trabalhadores do lugar são contra a proposta do vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) de extinguir a feira.
Roupas, CDs, chuveiros elétricos, enfeites, antigüidades, luminárias, torneiras. Esses são apenas alguns dos artigos encontrados na feira do rolo, realizada às manhãs de domingo na rua Júlio Prestes, há cerca de 20 anos.
Agostinho está solicitando ao prefeito Nilson Costa (PPS) a extinção ou regulamentação da feira. Ele alega que no local são comercializados produtos de furto e roubo.
A proposta vem causando polêmica entre os comerciantes. â€œÉ muito errado um vereador querer tirar a feira daqui. Aqui não tem malandro. Vem médico, advogado, juiz de direito passear aqui. É um lazer para a turmaâ€, afirma Valdemar da Silva, que vende peças antigas na feira.
Ele garante que a renda obtida no local é fundamental para o sustento de muitas famílias. “Tem muitas pessoas aqui que sobrevivem da feira. Não é um passatempo. Eu mesmo dependo em parte dessa feiraâ€, diz.
“Esse vereador está sendo cruel. Tem muitos coitados que vêm e trazem qualquer coisinha para vender na feira e poder comprar o franguinho, o macarrão, o sal, o gás ou um pedacinho de carneâ€, enfatiza Silva.
O vendedor Vanderlei Aparecido, que há anos trabalha no local, destaca que as pessoas vão à feira do rolo para trabalhar. “Eu acho que ele (Rodrigo Agostinho) deveria deixar todo mundo trabalhar. Pode até ser que tenha alguma coisa roubada. Mas 95% do pessoal aqui é honestoâ€, afirma.
Antônio Constantino, outro veterano da feira do rolo, também critica a proposta de Agostinho. “Eu acho que tem muito mais coisa para fazer do que tirar a gente daqui. A gente vem aqui para trabalhar, defender nosso pãoâ€, expõe.
Constantino ironiza a proposta, aludindo aos problemas pelos quais a Câmara Municipal vem passando. “Ele (Rodrigo Agostinho) tem que cuidar da Câmara. Lá é o lugar dele. Já está difícil para eles cuidarem de lá, não está?â€, brinca.
Cultura
Para o coordenador da feira, Amílcar de Oliveira Coelho, a feira é tradicional e faz parte da cultura da cidade. “Não há nem como discutir isso. É irracional pensar numa forma de acabar com essa feiraâ€, diz. Ele afirma que apenas esporadicamente aparecem produtos de origem duvidosa no local. “Um ou outro problema que aparece por aqui a polícia já vem e resolve. Se aparece alguma mercadoria de procedência duvidosa, não é do pessoal que trabalha e é cadastrado na feiraâ€, salienta.
Segundo Coelho, 80% dos vendedores são cadastrados e pagam R$ 48,00 ao ano à prefeitura. “Estamos na dependência de demarcar a feira novamente para arrumar lugar para o pessoal novo e cadastrá-loâ€, explica. Aparentemente, os visitantes não vêem problemas na feira do rolo. José Francisco da Silva esteve ontem pela primeira vez no local. “Achei diferente e não vi nenhum problemaâ€, diz.
Emerson da Cunha achou “interessanteâ€. “O pessoal tem oportunidade de vender alguma coisa que está guardada faz tempoâ€, expõe.
Carnaval prejudica feira livre
O domingo de Carnaval não foi dos melhores para os feirantes na rua Gustavo Maciel, no Centro. Eles afirmam que, em função das festas, houve uma pequena redução nas vendas.
“Por ser Carnaval, a turma está dormindo um pouco mais. Por isso está um pouco devagar - hoje estamos vendendo menos que em outros dias. Só pode ser issoâ€, avalia o feirante Constante Biondo.
Já José Luiz Neves Sebastião acredita que a redução nas vendas deve-se às viagens do feriadão. “Muita gente vai viajar e o movimento fica um pouco menorâ€, diz. Para outros feirantes, o Carnaval não influenciou em nada. É o caso de José Dodivino de Almeida. “O movimento é o mesmo. Não mudou nada, por enquantoâ€, destaca.