Botucatu - Um estudo sobre mães adolescentes e que teve por base uma pesquisa realizada com gestantes inscritas nas unidades básicas de saúde da região de Botucatu foi apresentado na última semana na 9.ª Conferência Internacional sobre Pesquisa de Qualidade de Vida, em Guadalajara, no México.
O trabalho organizado pela professora Margareth Aparecida Santini de Almeida, do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu, teve por objetivo analisar as condições e as circunstâncias da gravidez em um grupo de adolescentes, buscando desfazer algumas teses equivocadas sobre o comportamento dessas pessoas.
Especificamente, a pesquisadora analisou o significado da maternidade para as adolescentes investigadas e em que medida esta ocorrência faz parte de um projeto de vida.
Num dos trechos do estudo, a sua autora afirma: “Embora a bibliografia atual, principalmente aquela ligada às práticas de intervenção social ‘bem intencionada’, apoie-se muito no princípio de que a gravidez, quando ocorre precocemente, coloca-se como um problema social, pois representa uma cisão nas possibilidades de mobilidade social pela escolarização, observou-se, entre as gestantes adolescentes investigadas, que a maioria já não estava mais estudando por ocasião da gravidez, o que evidencia a existência de outros elementos rompendo com essa possibilidadeâ€.
Ao concluir a sua dissertação, a professora Margareth Santini de Almeida afirma: “A maioria dos estudos que abordam a gravidez adolescente a enfocam, quase sempre, sob uma perspectiva alarmante, em termos de conseqüências sociais ou de saúde. As adolescentes são representadas nesses estudos, na maioria das vezes, sob a perspectiva de vítimas passivas, restringindo-se também a análise apenas ao momento da gestação. Contudo, pode-se observar um esforço para reorganizar a própria vida, mesmo para quem a gravidez não era esperada, através de desejos, expectativas e sonhos, por mais precárias que sejam as condições vivenciadas.â€
A autora destaca que não é desejável analisar a questão sob um único enfoque ou sob uma visão genérica. E adverte: “Compreende-se, assim, que a diversificação de situações encontradas aponta para o equívoco das análises que tendem a interpretar a gravidez adolescente de forma a homogeneizar as situações vividasâ€.