A noite de anteontem que seria de festa tornou-se tragédia em Duartina. O desfile da escola de samba Unidos da Vila foi interrompido quando um homem invadiu a ala da bateria e efetuou dois disparos contra Fabiano Francisco Ribeiro, 23 anos, que morreu no hospital.
Eram aproximadamente 22h40 quando a Unidos da Vila brilhava na avenida São Paulo, a principal da cidade. De acordo com testemunhas, o acusado Abner Cavalcanti Ribeiro, 19 anos, adentrou a bateria e disparou duas vezes, atingindo as costas de Fabiano, que trabalhava com serviços gerais e morava em Duartina.
A vítima foi encaminhada ao hospital da cidade, mas não resistiu e morreu em seguida. O desfile foi interrompido. Abner fugiu correndo e foi perseguido por populares e por integrantes da bateria da escola de samba. No caminho, efetuou alguns disparos para tentar conter as pessoas que o perseguiam.
Ele entrou numa quadra cujo portão estava aberto e se escondeu. O local foi cercado pelas polícias militar e civil e mais tarde o acusado foi detido. Ele estava com um revólver de calibre 32, de numeração raspada.
Três testemunhas, segundo a polícia, reconheceram Abner como o autor dos disparos. O carcereiro da delegacia, que fica em frente à quadra em que o acusado se escondeu, disse que o viu passar correndo à procura do esconderijo.
Abner negou a autoria do crime e a atribuiu a uma pessoa conhecida como “Betoâ€, que não foi localizada. A polícia colheu material residuográfico do acusado para averiguar a existência de resíduos de pólvora e chumbo nas mãos dele - indícios característicos de quando alguém efetua disparos com arma de fogo.
Abner está preso na Cadeia Pública de Duartina, mas deve ser transferido para a Cadeia Pública de Bauru. “Em razão da periculosidade deleâ€, afirma o delegado Antônio Augusto de Campos Lima. O rapaz estaria em Duartina há pouco tempo vindo da grande São Paulo.
O motivo do crime, segundo o delegado, seria uma rixa existente entre os dois envolvidos. Há algumas semanas, Fabiano teria agredido Abner.
O delegado Lima faz ressalvas quanto ao carnaval de rua de Duartina. “Quando começou, o carnaval de rua de Duartina era mais família. Agora está vindo muita gente de fora e a cidade não tem estrutura para isso: polícia, banheiros públicos etc. Eu acho que deve ser reavaliado se ele é benéfico ou nãoâ€, diz o delegado.
Carnaval de protesto
Duartina - A Escola de Samba Unidos da Vila deve voltar à avenida hoje à noite como forma de cumprir um acordo firmado junto à prefeitura e também como forma de protestar contra a violência que acabou com a festa popular no sábado, após o assassinato de um de seus integrantes.
A Unidos da Vila é a única que tinha o desfile programado para este ano em Duartina. A cidade estava sem carnaval de rua há dois anos.
Segundo Júlio César Vaine, um dos diretores da escola, a Unidos está desfilando praticamente só com a bateria, cerca de 70 componentes.
Dizendo-se chocado com a morte de sábado, Júlio, que também é policial civil na cidade, disse ontem que um grupo da escola tentava encorajar os demais integrantes para o desfile de hoje. “Acho que temos que sair sim. Sair para mostrar nossa indignação com a banalização da violência, para protestar e dizer que não podemos conviver mais com essa situaçãoâ€, disse em tom de desabafo.
Na noite de sábado, quando Fabiano foi assassinado, Júlio disse que também tocava na bateria. “Vi ele caindo e achei que fosse um ataque epilético. Mas depois meu filho disse que era tiroâ€, contou. De acordo com Júlio, um público de aproximadamente 4 mil pessoas assistia ao desfile. “Foi um choque para todosâ€.