Um crime bárbaro foi registrado pela polícia ontem de madrugada, no Jardim Nicéia, em Bauru. Luci Antônia Avante Versati, 34 anos, e sua filha Thaís Aparecida Avante, de 12 anos, foram encontradas mortas pela Polícia Militar dentro da própria residência, com sinais de violenta agressão e espancamento, provocados aparentemente por uma barra de ferro.
O principal acusado do crime é o marido da vítima, o comerciante Carmo Versati, de 66 anos, que continuava foragido até à noite de ontem. Segundo informações de familiares, a menina de 12 anos seria enteada do comerciante.
O crime ocorreu na residência do casal, localizada na quadra 2 da rua Sérgio Arcangelo, no Jardim Nicéia. De acordo com a polícia, o comerciante teria narrado, através de manuscritos encontrados no local, o motivo do desentendimento com a esposa.
Mãe e filha teriam saído à noite e chegado em casa durante a madrugada, quando o comerciante teria iniciado uma discussão. Nos manuscritos, o suspeito alega que ambas as vítimas estariam embriagadas e que teriam, durante a briga, pegado uma faca e o ameaçado de morte. O suspeito afirma ainda que teria se trancado no banheiro e aguardado alguns minutos. Em seguida, ele termina a carta, relatando que “fez o que tinha que ser feitoâ€.
Segundo a polícia, após o crime o comerciante teria se dirigido até a casa de seu cunhado, com o filho de 4 anos do casal, e teria confirmado o duplo assassinato. Ele deixou a criança no local e fugiu em seguida.
A Polícia Militar teria sido acionada pelo cunhado de Versati, cujo nome não foi divulgado.
A polícia não soube precisar se o menino de 4 anos estava na casa no momento do crime, mas desconfia que ele estivesse dormindo, quando mãe e irmã foram mortas.
Ainda não há informações de quem será responsável pela guarda da criança, que permanecia até a tarde de ontem com familiares do comerciante.
Desfigurado
O delegado do Plantão Policial, Fábio Mariotto, que atendeu a ocorrência, classificou o crime como bárbaro. Segundo ele, os corpos das vítimas foram encontradas ontem de manhã pela polícia, na cama do casal, com vários ferimentos na região da cabeça, provocados aparentemente por uma barra de ferro. “O crânio estava desfacelado e o rosto da mãe e da filha desfigurado. Havia muito sangue na cama e na parede. Houve perfuração em decorrência das pancadas.â€
A polícia encontrou próximo às vítimas a barra de ferro, de aproximadamente 80 centímetros, suja de sangue, e uma faca de cozinha. “Não se sabe se ele teria praticado o homicídio com faca ou com o pedaço de ferro que estava lá, mas apenas o ferro estava manchado de sangueâ€, afirma o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia, que está encaminhando a investigação sobre o caso.
Na mesa da sala, foram encontradas dez folhas de cadernos com manuscritos, sendo uma delas endereçada à polícia. “No bilhete, ele contou os motivos que o levou à prática do duplo homicídioâ€, relata o delegado da DIG.
Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru e submetidos à necropsia.
Segundo Cardia, o autor do crime vai responder por duplo homicídio doloso.
____________________
Relacionamento tumultuado
De acordo com informações de familiares de Luci Antônia Avante Versati, que preferiram não ser identificados, o relacionamento do casal estava sendo marcado por discussões e já havia indícios de separação. “Ela estava querendo se separar e estava procurando casa há uns 15 diasâ€, relata uma prima da vítima.
Segundo a família, o casal estava junto há cerca de cinco anos e teria um filho de 4 anos. A menina que foi assassinada seria fruto de um relacionamento anterior de Luci. O comerciante, que era 32 anos mais velho do que a esposa, também teria filhos de outro casamento.
Segundo a família, na casa onde ocorreu o crime moravam apenas o casal com o filho de 4 anos e a menina.
Um irmão da vítima atribuiu à grande diferença de idade entre Luci e o comerciante o provável motivo de inúmeros desentendimentos. Além disso, o relacionamento da menina com o padrasto também foi descrito pela família como tumultuado. “Ele não se dava bem com a menina e não gostava dela. Dizem que ele tomava seis tipos de remédio diferente para a cabeçaâ€, diz um dos irmãos de Luci. Na residência do casal, segundo o delegado Fábio Mariotto, foram encontradas carteirinhas do Núcleo de Atendimento Psico-Social (Naps) em nome do comerciante, da esposa e da menina.
Segundo um vizinho das vítimas, que preferiu não se identificar, o comerciante e sua esposa trabalhavam juntos em um bar próprio, localizado no quintal da casa. “Ele era um homem trabalhador, mas as brigas entre eles eram freqüentes.â€
O vizinho Ernesto Lima da Silva Neto afirma que o comerciante é morador antigo do bairro e aparentava ser um homem calmo. “Nós ficamos traumatizados. A gente não poderia imaginar que ele fosse capaz de cometer algo assim. Ele era um homem de idade, calmo. Eu o conheço há anos, desde o tempo em que ele vendia verduras. A menina também. Ela era contente, vivia sempre sorrindoâ€, descreve.
Policiais militares da base Sudeste, que atenderam a ocorrência, afirmaram que o comerciante tinha ciúmes da esposa e que a polícia já havia sido acionada várias vezes para apartar desentendimentos entre o casal.
Os policiais contam que, antes de atender a ocorrência de homicídio, encontrou o suspeito, ontem de manhã, pelas ruas do bairro. Segundo os policiais, ele estava tranqüilo e não despertava nenhum tipo de comportamento suspeito.
A reportagem se deslocou até a casa do cunhado e irmã da vítima, para onde o comerciante teria levado o filho de 4 anos, mas não encontrou os moradores no local. Segundo informações da família das vítimas, a irmã do comerciante estaria em estado de choque.