09 de julho de 2026
Esportes

Bruna Costa pronta para novos desafios

David Cintra
| Tempo de leitura: 4 min

A ginasta bauruense Bruna Perandré da Costa está em Bauru aproveitando o Carnaval para rever pais e amigos e descansar. Depois do feriado, Bruna deve reiniciar sua preparação para a disputa do Circuito Brasileiro de Ginástica, nos dias 16 e 17 de março, em São Paulo. A competição faz parte do Projeto Circuito Brasileiro de Esportes Olímpicos, criado e promovido pelo Comitê Olímpico Brasileiro.

“Eu vou mais para pegar experiência. É uma competição muito forte e muitas das concorrentes são da seleção adulta. Além disso, fiquei sabendo que as outras meninas estão se preparando desde o início do ano. Tentarei um bom resultado, mas vou mais para aprender”, comenta a atleta.

Bruna é a maior revelação da ginástica bauruense. Aos 14 anos, está entre as 20 melhores do País e com muitas chances de integrar a Seleção Brasileira Adulta. Ela começou sua carreira aos oito anos, no ginásio da Vila Industrial, sob orientação do técnico Vladimir Sobol, um georgiano (Rússia) radicado em Bauru.

“Eu praticava natação e minhas professoras me disseram que eu tinha corpo de ginasta e que deveria tentar praticar este esporte. Então fui ver as meninas e gostei. Aí fui praticar e não parei mais”, conta.

Depois de se destacar em diversas competições regionais e começar a ganhar espaço em campeonatos interestaduais, Bruna foi convidada a integrar a equipe da A.A. Guaru, de Gurulhos. Sem um patrocinador para mantê-la em Bauru, a ginasta acabou por aceitar o convite. “Foi difícil para nós, mas sabemos que é bom para ela”, diz o pai Pedro da Costa Júnior.

“Para mim foi bom ir para lá, porque aqui eu estava participando de poucas competições. Dá muita saudade, mas é o único jeito de conseguir atingir meus objetivos”, conta Bruna. E as metas de Bruna são ambiciosas. “Quero disputar uma Olimpíada. Mas meu grande sonho é chegar no Mundial. Para isso, sei que tenho que treinar bastante, mas acho que se me esforçar eu vou conseguir”, sentencia.

Se depender de treinos, Bruna pode deixar o passaporte pronto. Segundo a atleta, sua rotina na Guaru é exaustiva. “Treinamos de manhã das 7h ao meio-dia. Depois, vamos para a escola, sempre atrasadas, temos de correr, às vezes até mastigando a comida. Agora vamos começar a treinar à noite e eu faço inglês, também à noite”, revela.

A rotina de treinos, sempre muito puxados, às vezes cansa, segundo a atleta. “Tem hora que dá vontade de sair, mas aí eu penso: ‘já que eu vim até aqui, agora vou até o fim’. E também nós temos incentivo das outras atletas”, conta.

Bruna iniciou-se na ginástica olímpica antes do “fenômeno Daniele Hypolito”, por isso sabe a diferença que faz o País ter um grande ídolo na modalidade. “Depois dela (Daniele) mudou muito. Agora tem muita gente querendo praticar e ‘ajudar’, entre aspas porque só procuram a Daniele. Mas para nós atletas foi bom, incentivou bastante. É um espelho, se ela conseguiu, nós podemos também”, compara.

Apesar da maior popularidade que a ginástica olímpica alcançou com a repercursão dos bons resultados internacionais obtidos por Daniele, a falta de patrocínio ainda é um problema crônico para as ginastas, segundo Bruna. “Duas meninas lá da Guaru foram para o Pan e conseguiram ajuda de empresas, mas só para esta competição”, detalha.

Por outro lado, Bruna conta que a Guaru está quase fechando uma parceria com o São Paulo. “Isto vai ser muito bom para nós. Eu sei que já está quase fechado. Parece que o São Paulo vai ajudar a pagar as competições. Além disso, poderemos ter mais visibilidade competindo por um clube famoso”, revela.

Complicador

Se tem muito talento nos aparelhos de ginástica e foi privilegiada pela natureza com um físcio adequado para a prática da modalidade, por outro lado, Bruna não teve sorte com o dia de seu nascimento. Por ter vindo ao mundo num 10 de janeiro, a atleta se vê prejudicada, já que na ginástica a idade é levada em conta para muitas competições.

Por exemplo, mesmo que consiga vaga na Seleção Olímpica, a princípio não poderá ir a Atenas, já que a exigência é de que a atleta complete 16 anos no ano dos Jogos. Em 2004, Bruna fará 15 anos.

“O Vladimir (técnico) já me havia alertado para isso. Até poderíamos alterar os documentos dela, como acontece com muitos atletas em diversas modalidades. Mas por uma questão até de exemplo para a formação dela, não o fizemos. Me parece que as regras poderão ser mudadas a partir de 2004. Vamos esperar. O importante é que ela está conseguindo tudo por méritos próprios”, orgulha-se o pai Pedro, apoiado pela mãe Cris e os irmãos Igor e Brian.