09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

8 de Março - Em busca de novos caminhos e de paz


| Tempo de leitura: 3 min

São Marias, Amélias, Anitas, Lauras, Olgas, Marílias, Helenas, Iracemas, Rutes, Anas, Camilas, Genís, Madalenas... Elas e todas as mulheres de todas as épocas e raças têm muito o que comemorar neste 8 de Março – Dia Internacional da Mulher. As conquistas são muitas: direitos assegurados em leis específicas, novas áreas no mercado de trabalho, cargos de decisão, e mais responsabilidades somadas as preocupações com a casa, a educação dos filhos, a família. É importante que cada uma das mulheres dê sua contribuição para esta história que está sendo escrita em cada gesto, protesto, denúncia e comemoração.

Essa luta por igualdade de direitos e condições tem sido um processo longo e doloroso. Conta-se que Safo, poetisa e professora na Grécia antiga, em 624 a.c. já denunciava a opressão da mulher em seus escritos.

De lá pra cá muitos caminhos foram percorridos na história da humanidade. Em meados do século XIX, durante a Revolução Francesa, o movimento feminista ganhou força. No mundo todo o movimento se fortaleceu e as mulheres passaram a reivindicar profundas transformações econômicas, sociais e culturais. Em cada país a luta ganhou características diferentes, mas em todos o grande desafio era a igualdade de participação nas esferas de decisões políticas e econômicas. Um grande exemplo no Brasil nos anos 30 foi a luta pelo direito ao voto, garantido com o governo de Getúlio Vargas em 1932.

Grande momento, também, foi a década de 60, quando o movimento feminista rompeu com os preconceitos e restrições questionando a ciência, a educação, a política, a religião e foi para as ruas. Hoje, as mulheres modificam o mundo do trabalho e o acadêmico. Modificam as relações familiares e ingressam em espaços antes privativo aos homens, como a política. Mas, as desigualdades de condições e oportunidades ainda permanecem. Na maior parte dos países cabe aos homens receberem maiores salários e reconhecimento pela contribuição econômica. Dos cerca de 900 milhões de analfabetos no mundo, 2/3 são mulheres, quase 130 milhões delas não tem acesso a planejamento familiar e ainda é perto de 1 milhão o número das que morrem anualmente de causas relacionadas à gravidez.

No Brasil, nos últimos 50 anos, houve crescimento significativo da participação das mulheres no mercado de trabalho, mas, os salários ainda são menores. Os índices de escolaridade têm aumentado muito, mas ainda permanecem em massa em determinadas áreas: trabalho doméstico, educação, saúde. A violência cresce dia a dia e assombra a vida das mulheres de todas as idades – opressões, estupros, prostituição etc.

O século XX foi marcado pelas grandes conquistas, mas ainda temos muitos desafios pela frente. Vivemos um momento de hegemonia mundial, globalizada e neoliberal, de exclusão social e aprofundamento das desigualdades que se abatem sobre as mulheres. É preciso encontrar novas respostas. É preciso avançar, no campo da igualdade de direitos e para isso é necessário vigilância permanente, campanhas, mobilizações, como acontece no Dia Internacional da Mulher.

Portanto, neste 8 de Março, quando comemoramos 93 anos do “Dia Internacional da Mulher” e 146 anos do assassinato das 129 operárias têxteis da fábrica Colton, de Nova Iorque - que em greve exigiam redução da jornada de 16 para 10 horas diárias e melhores condições de trabalho foram mortas, queimadas, dentro da fábrica por ordem dos patrões - a ameaça não é o fogo dos teares, mas da loucura e sede de poder do presidente dos EUA, que prepara uma nova guerra. Nas guerras, todos os direitos são violados. E as mulheres sofrerão as conseqüências, pois respondem pelos cuidados com as crianças, idosos, doentes. Isto sem falar que são seus esposos e filhos que estarão a caminho das frentes de batalha. As lutas são muitas, este é o momento de defender a paz e um Brasil mais justo e igualitário esta é a bandeira que nos mulheres precisamos levantar neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher! (Maria José Majô Jandreice)