08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Carnaval e sociedade


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Encerrado o período carnavalesco, é tempo de se discutir as causas de Bauru ficar mais uma vez sem a sua maior festa popular. Como nos anos anteriores, por falhas administrativas, não importa se públicas ou privadas, nossa cidade ficou sem o seu tradicional Carnaval no Sambódromo. Numa espécie de “Affirmative Act” ou de “política compensatória”, algumas de nossas Escolas de Samba fizeram apresentações em seus bairros (“Azulão do Morro”, no Jaraguá; “Coroa Imperial” e “Flor de Laranjeira”, no Geisel; “Mocidade”, na Falcão; e “Tradição”, no Mary Dota). A opinião da população a respeito pode ser expressa no título da matéria da jornalista Thaís da Silveira ( JC, de 3 março de 2003): “Na rua, folião não esquece Sambódromo” .

Por outro lado, algumas cidades da região, menores e sem suporte adequado (sambódromo), realizaram Carnaval de rua, com desfile de escolas de samba, escolha de rainhas e outros quesitos, inclusive, algumas com carnavalescos e escolas de Bauru. É uma autêntica inversão de valores que merece pesquisa adequada.

Entendemos que o Carnaval, além de proporcionar cultura, lazer e entretenimento, divulga a cidade, fomenta o turismo e incrementa a economia dinamizando o comércio, como à respeito expõe a matéria veiculada no Jornal da Cidade em 3 de março de 2003: “Carnaval impulsiona 52 setores da economia”. O Carnaval é, sem dúvida, a maior, a mais importante, mais criativa, mais irreverente e mais popular de todas as festas do Brasil. É como um espelho pelo qual a sociedade se vê a si mesma. Ocasião ou oportunidade em que o “trabalho” se transfigura em tarefa, participação voluntária, livre escolha e, acima de tudo, em solidariedade, onde se observa a inversão de celebridades trabalhando-sambando para milhares de “trabalhadores-pobres”. É o período onde, como na Grécia antiga, “smel in anno licet insanire” (uma vez por ano é lícito endoidecer).

Nesse contexto, é triste e lamentável que em nossa cidade o Carnaval de rua, festa popular tradicional, não seja visto como a legítima (e talvez única) opção de lazer das classes menos favorecidas, do homem comum, fraco candidato a cidadão. O humilde folião anônimo, apaixonado por Carnaval e representante de ponderável parcela da população, ficará aguardando para o próximo ano uma nova oportunidade. (Tito Pereira - vice-presidente da Escola de Samba “Azulão do Morro”)