Durante mais de dez dias, a interdição de um trecho da avenida Rodrigues Alves - uma das principais vias de acesso da cidade - gerou grandes transtornos para motoristas que trafegam pelo local e moradores daquela região.
O problema começou no dia 24 de janeiro, quando uma forte chuva levou parte da terra que fica sob o asfalto da avenida, na altura do Horto Florestal, provocando uma grande erosão. A situação foi agravada com a chuva do dia 17 de janeiro e a pista no sentido bairro-Centro foi interditada.
Somente no último final de semana meia pista da avenida foi liberada, permitindo a passagem lenta de veículos, mas evitando o longo desvio.
O resultado, durante esse período, é que todos os veículos que saíam da região do Distrito Industrial rumo ao Centro ou chegavam à cidade pela avenida Rodrigues Alves tiveram que fazer uma enorme volta. No trevo do Jardim Redentor, a saída era seguir pela avenida Hélio Pólice até a avenida Cruzeiro do Sul, que leva às imediações do Centro.
Como conseqüência, a avenida Cruzeiro do Sul teve sobrecarga de veículos principalmente nos horários de pico, provocando longas filas de carros, caminhões carregados e ônibus.
O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, acostumado a trafegar pelo local interditado, diz que a erosão aconteceu em um local estratégico.
“O principal é o risco a que se expõe as pessoas quando se aumenta tão intensamente o fluxo de uma via, quando isso não estava previsto. É uma região de serviços, com escolas e muitas empresas. Complicou bastante. Por essa região saem caminhões muito pesados que usam esse trecho. Minha preocupação maior é de haver um acidenteâ€, expõe.
O diretor regional acredita que é necessário construir um aterro de forma adequada para evitar que o problema volte a acontecer futuramente.
Um empresário que trabalha no Distrito Industrial e não quis se identificar também queixou-se do desvio.
“Todo mundo está andando dois quilômetros e meio a mais. Do jeito que está a gasolina, quanto se gasta a mais por dia? E o tempo? As pessoas que almoçavam em casa não conseguem almoçar mais. Em uma hora de almoço não dá para fazer essa voltaâ€, afirma.
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Bombeiros
As interdições recentes em acessos aos bairros de Bauru prejudicaram também o trabalho do Corpo de Bombeiros na cidade. O tempo médio para atendimento das ocorrências nas regiões afetadas aumentou.
De acordo com o 1.º tenente Luís Antônio França Carvalho, do Corpo de Bombeiros, os trajetos percorridos pelos caminhões e unidades de resgate aumentaram sensivelmente.
A interdição da ponte Ayrton Senna levou a uma diferença de 12 a 15 minutos para chegar a cada destino. Os veículos têm que trafegar pela rodovia Marechal Rondon e pelo trevo de Santa Luzia. â€œÉ um contorno muito grandeâ€, diz Carvalho.
Já a interdição da avenida Rodrigues Alves, na altura do Horto Florestal, aumentou em média de três a quatro minutos o tempo dos percursos para atender às ocorrências da região.
Segundo o 1.º tenente, pode parecer pouco tempo, mas os minutos são essenciais em incêndios ou acidentes graves. “Quatro minutos é pouco, mas numa ocorrência que necessita agilidade - como um acidente de trânsito com vítima, hemorragias, paradas cárdio-respiratórias -, pode fazer a grande diferençaâ€, diz Carvalho.
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Moradores reclamam
Além de condutores, os moradores das ruas e avenidas que serviram de desvio para os veículos impedidos de trafegar pela avenida Rodrigues Alves também viveram dias de sufoco.
Na avenida Hélio Pólice, o barulho e o intenso fluxo de veículos deixou a comunidade descontente. “Está péssimo. Era uma avenida bem mais tranqüilaâ€, diz Francisco Rodrigues.
Silvia Rodrigues concorda. “Está difícil para atravessar as crianças que vêm da escola para cá. A gente fica um tempão esperando. Atrapalha no telefone e até numa conversa normal dentro de casaâ€, afirma.
Luciana Marques também reclama dos ruídos gerados pelos ônibus e caminhões. “Está horrível o trânsito aqui. O barulho está muito intenso. Não dá para ver televisão. Tem hora em que não dá para atravessar a rua. Fica uma fila enorme de carrosâ€, expõe.
Emerson Ferreira passa todos os dias de carro pelo local e sentiu a diferença. “Está difícil rodar aqui. Ninguém consegue entrar na avenida; ninguém respeita. Aumentou 100% o fluxo de veículosâ€, conta.
Assim como no Núcleo Mary Dota, os comerciantes também são exceção nas proximidades da avenida Cruzeiro do Sul. Valmir dos Anjos, dono de um bar, disse que ganhou com o desvio. “Para mim, foi até melhor. Muita gente passa e toma cerveja, refrigerante. Melhorou uns 30% a venda de bebidas. Para mim ficou bom, mas para o trânsito ficou ruimâ€, explica.
Aparecido Donizete, que vende côcos na avenida, também faturou um pouco mais. Durante a interdição, ele vendeu de 20 a 30 unidades a mais por dia.