A situação do vereador José Humberto Santana (PV) na Câmara Municipal complica-se cada vez mais. O ex-diretor administrativo do Legislativo, Luiz Renato Joel, revelou que o filho do parlamentar, Marcos Duarte Santana, foi o responsável pelo orçamento do serviço de instalação de uma fechadura eletrônica, realizado em setembro de 2001.
Duarte Santana é proprietário da Santel Eletro Eletrônica, mas a empresa que prestou o serviço foi a W. Cel Automatizações. Joel também garante que Santana se “equivocou†ao fazer constar em sua defesa prévia encaminhada à Comissão Processante (CP) que ele teria solicitado ao filho do parlamentar que recebesse o cheque de R$ 330,00 emitido pela Casa nominal a W. Cel Automatizações.
O recebimento do cheque pelo filho do vereador é uma das denúncias que está sendo investigada pela CP instalada contra o parlamentar. Amanhã, a CP se reunirá às 10h para anunciar o parecer do relator do processo, sob responsabilidade de Toninho Garmes (PSDB), sobre a defesa prévia por escrito encaminhada por Santana.
Joel considerou “estranha†a afirmação por parte do parlamentar do PV de que ele teria procurado Marcos Duarte Santana e lhe pedido para retirar o cheque da W. Cel.
O nome do filho do vereador apareceu numa lista de pessoas que recebiam cheques nominais emitidos a prestadores de serviços. A lista foi entregue pelo próprio Joel à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras.
O ex-diretor do Legislativo protocolou o documento para mostrar que a prática era rotineira na Casa, já que ele próprio também recebia cheques de terceiros, mas devidamente autorizados pelo favorecidos.
Além disso, o servidor Bibiano Camargo Neto testemunhou, por telefone, que o filho do vereador esteve na Câmara acompanhando a realização do serviço junto com um técnico da W. Cel.
Orçamento
Joel lembra que procurou Duarte Santana para que fizesse o orçamento do serviço. “Ele foi à Câmara, fez o orçamento e disse que procuraria alguém para fazer o trabalho, sem explicar por que não quis pegar o serviço. Alguns dias depois, vi o pessoal da W. Cel fazendo o serviço na portaria. Achei estranho e perguntei por que o serviço estava com eles. Me responderam que o Marcos havia pedido para que fizessem o trabalhoâ€, explica.
O ex-diretor administrativo conta que depois de pronto o serviço, o próprio filho do vereador lhe procurou pedindo para liberar o cheque relativo ao trabalho. “Ele me disse: Renato, está tudo em ordem, fizeram o serviço direitinho. Posso pegar o cheque? Disse a ele que sim, que era só acertar o pagamento.â€
Joel garante que não tinha motivos para procurar o filho do vereador e lhe pedir que levasse o cheque à W. Cel. “Afinal, a W. Cel já havia prestado vários serviços à Câmara e em todos eles foi o proprietário quem pegou o cheque. É fácil falar, agora, que foi o Renato quem mandou fazer tudo, né. Assumo que fiz contato com o Marcos para fazer o serviço. Agora, foi ele quem contatou a W. Cel, foi ele quem deu a idéia de como se faria o serviço e foi ele quem recebeu o chequeâ€, expõe.
A reportagem do Jornal da Cidade contatou o escritório da W. Cel para que seu proprietário, Celso Ricardo da Silva, se posicionasse sobre o assunto. Mas não houve retorno da ligação.
O mesmo procedimento foi feito com o vereador José Humberto Santana, que foi localizado pela reportagem para comentar o assunto, mas preferiu seguir orientação de seu advogado e não se manifestar. Marcos Duarte Santana, filho do vereador, disse que não tinha nada a comentar sobre a questão. “Quem tem que se posicionar é o meu pai. A denúncia é feita em cima dele.â€