10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O PAIVA NÃO TEM TELEMARKETING


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Mas tem muita solidariedade, amor, carinho. Não tem mídia, mas com certeza terá muita recompensa divina. Leia o texto: Certo dia eu estava no Centrinho fazendo uma matéria para a TV Centrinho, no quiosque ao lado da imagem de São Francisco de Assis, conheci um senhor de cabelos brancos, olhar simples, fala mansa e olhar simples como a sua própria simplicidade e um dia este senhor teve a feliz iniciativa de dedicar-se aos cuidados de crianças órfãs, pobres e abandonadas. Não sei como começou a sua obra, mas sei que, como toda obra, não foi fácil, mesmo em meio a escuridão ele sempre via um raio de luz refletindo e iluminando seu caminho e por ele seguia sempre confiante, com um único propósito de ajudar os necessitados.

O que eu quero lhe dizer, amigo leitor, deste senhor, é que ele vive completamente abandonado à providência divina. Deus sempre recompensa aos que o servem. Este senhor, com seus 93 anos de idade, vejo nele um exemplo claro dessa assistência divina. Por meio de benfeitores ele recebe alimentos, roupas, leite, pão para continuar a sua missão, na sua obra abençoada, a Sociedade Beneficente Cristã, e somente guarda o estrito necessário. O restante oferece para outras pessoas, muita coisa que lhe é apresentada bem que poderia ser guardada para dias posteriores, mas ele não o faz, reserva o que precisa para o dia, e tudo é encaminhado a outras pessoas que necessitam do que lhe sobrou. Certo dia alguém lhe perguntou: por que o senhor não guarda algumas coisas para mais tarde? Surpresa teve quem o perguntou. “Se Ele, Cristo, me manda cada dia o que preciso, por que guardar mais? Dou um dia e no outro com certeza recebo o dobro, e sinto-me feliz em poder dividir, e amparar a quem precisa de muita ajuda.” Suas palavras são sempre acompanhadas de muito carinho e de um sorriso sincero e puro, sua maneira de tratar a essas crianças impressiona a todos, sente-se que vê o Cristo em cada uma delas e sabe que o que faz a elas, está fazendo ao próprio Deus, confunde até os melhores pedagogos, o que estes não conseguem com sua pedagogia, ele faz com a sábia e delicada pedagogia do amor, amor este sentido por todos. Seu modo de tratar é sempre o mesmo, caracterizado por uma extraordinária amabilidade de pai para com seus filhos que são muitos, e as crianças sentem-se felizes, experimentam aí o aconchego de um harmonioso lar, onde encontram todo afeto e amor. Desde bem pequeninos aprendem trabalhinhos e, crescendo, crescem nelas as boas formações morais, intelectuais e espirituais. Esse senhor forma bons cidadãos do amanhã para dirigir quem sabe os destinos deste nosso país.

Estou lhe contando isso, amigo, para que você saiba agradecer aos céus por ter, na terra, pessoa tão exemplar, pessoa que conduz ao seu divino redil a quem não conhece a vida. Ele, com a paciência de um anjo, orienta criaturas humanas, lhes ensina a viver corretamente e Deus recompensa seu árduo trabalho dando-lhe as santas alegrias de ver essas crianças, jovens, que já seguem os retos caminhos da vida. Estou lhe falando de Sebastião Paiva, para que saiba que, ainda hoje, Deus não abandona a quem nele confia. Essa alma entregou-se às mãos divinas e nada mais vê nesta vida a não ser a vontade de servir. Sua frágil saúde não lhe impede um trabalho contínuo, seguro e próspero. Vejo nesta pessoa uma imagem digna de santa inveja, alta imagem de fé e confiança no Senhor.

Estou lhe falando de um homem forte na fé, na caridade e na solidariedade humana, que aí está para ensinar-lhe, como ensinou a mim, que só se é feliz sabendo lutar e vencer os obstáculos que nos cercam a cada dia da nossa existência aqui na terra. As pessoas mais felizes não possuem necessariamente o melhor, elas apenas fazem o melhor de tudo para todos. Imite, inveje, faça várias xerox das cópias originais da vida de bom samaritano de Sebastião Paiva e só assim você será um grande maestro que para conduzir uma bela orquestra deve voltar suas costas à multidão. Para isto basta confiar em Deus, esperar com amor e fé em sua paternal bondade que aos poucos se consegue tudo o que almejamos, independente de sermos abandonados pela providência, poder público, burocracias, e a falta de sensibilidade humana por parte das autoridades competentes. Assim é o meu relato sobre Sebastião Paiva: pense nisso. (Jaime Prado - RG: 9.656.152)