A ponte de madeira construída emergencialmente para travessia de pedestres, bicicletas e motos sobre o rio Bauru, ligando o Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, deve ser concluída e liberada nesta semana. A estrutura foi feita por causa da interdição da ponte Ayrton Senna desde 7 de janeiro, devido a rachaduras na base.
O secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, ressalta que a estrutura de madeira foi feita por medida de segurança, para que os pedestres, ciclistas e motociclistas não passem mais pela ponte que está interditada para veículos. Ele lembra que foi preciso retirar parte do aterro da ponte avariada.
Para carros e caminhões, a alternativa de acesso entre as regiões do Núcleo Mary Dota e o Distrito Industrial 1 continua sendo a avenida Rodrigues Alves e o prolongamento da avenida Nuno de Assis, o que aumenta o percurso em vários quilômetros.
Além de não poder ser usada por veículos de quatro rodas, a ponte provisória não é segura à noite por falta de iluminação. “Como não terá iluminação, pedimos que a população não passe pela ponte à noite, por medida de segurançaâ€, frisa Duarte.
A ponte, que custou cerca de R$ 12 mil, tem três metros de largura por 30 metros de comprimento. “Falta somente fazer o guarda-corpos, para proteção dos pedestres, e o acesso à ponte. Mas também temos que sinalizar o localâ€, diz Duarte.
O presidente da Associação de Moradores do Núcleo Beija-Flor e Núcleo Mary Dota, Roberto Lima, questiona a utilidade da ponte provisória. “Se é só para pedestre e moto, não vai ajudar em quase nadaâ€, diz. “Além disso, não terá iluminação à noite. Mas quero ver se o pessoal que costuma passar de madrugada pelo local para ir trabalhar no Distrito Industrial vai respeitar essa orientação de travessia somente durante o diaâ€, completa.
O metalúrgico Aparecido Oliveira, que trabalha no Distrito Industrial, também acha que a ponte de madeira não ajuda muito. “Pedestre e moto está passando pela ponte interditada. Ao invés de fazer outra de madeira, deveriam consertar logo essa que está com problema, para passagem de carro, caminhão e evitar essa volta que estamos sendo obrigados a dar, gastando mais combustívelâ€, afirma.
A ponte Ayrton Senna foi entregue no final de setembro de 2000, na véspera da eleição que deu a reeleição ao prefeito Nilson Costa (PPS). A obra custou cerca de R$ 250 mil.
Recuperação
A Secretaria Municipal de Obras ainda não tem previsão de quando a ponte Ayrton Senna estará recuperada e liberada para o trânsito. A pasta, de acordo com Duarte, está aguardando a perícia judicial para iniciar as obras de recuperação.
A previsão é que a perícia técnica visando identificar o que causou as rachaduras na base da ponte seja feita nesta semana. Ontem, o perito Denilson Douglas Bernardo, nomeado pela Justiça, estava tentando combinar uma data com um engenheiro da empresa que construiu a ponte, a Tofer Engenharia, para fazer a perícia.
O laudo pericial da ponte foi solicitada pela Prefeitura de Bauru, que ingressou na Justiça com medida cautelar de produção antecipada de provas. Na ação, o município pede que sejam apontados os problemas estruturais da ponte.
Na ação, a prefeitura solicita que seja esclarecido se a ponte foi ou não construída conforme o projeto original. A suspeita é que a inclinação entre as estacas, de 2,4 metros previstos no projeto, não foi respeitada.
Se a ponte foi construída seguindo o projeto, a prefeitura solicita indicação das possíveis causas das rachaduras. Se ficar concluída que as rachaduras surgiram devido a erro da construtora, a prefeitura poderá acioná-la para ressarcir o prejuízo.
Há, ainda a possibilidade do erro ter sido fortuito, da prefeitura e do projetista. A Secretaria de Obras contratou uma empresa para fazer o projeto de recuperação da ponte. Porém, os serviços só devem começar após a perícia.
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Parecer da Assenag
A Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru emitirá um parecer técnico sobre a interdição da ponte Aryton Senna. A decisão foi tomada ontem à noite, em reunião extraordinária que juntou 20 profissionais da área.
“Já está sendo elaborado um laudo jurídico. A prefeitura deve ter o seu e a empresa Tofer Engenharia, também. Como o assunto envolve dinheiro público e prejuízos à população, vamos nos manifestar publicamente. O intuito é ajudarâ€, explica o presidente do conselho diretor da entidade, Natalino Lourenço Júnior.
O estudo será realizado por uma comissão formada por quatro especialistas, que vão visitar a obra, além de analisar o projeto e os cálculos.
“Vamos apurar se a execução da obra respeitou o projeto. Não temos previsão de quando o parecer será concluído, mas temos pressa. A primeira reunião da comissão já está agendada para manhã (hoje), às 8hâ€, informa Natalino.
De acordo com ele, os primeiros dados serão apurados nessa terça-feira pelo grupo formado pelo especialista em cálculo estrutural em concreto e aço, Assahi Kawaguti, pelo analista estrutural, Tatsuo Kajino, pelo engenheiro civil e também calculista estrutural Odir Gil de Souza e pelo engenheiro civil e presidente da diretoria executiva da Assenag, Luiz Carlos da Silva Mendes. (Luciana La Fortezza)