11 de julho de 2026
Política

Conselho Feminino pedirá punição para Parreira

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

As integrantes do Conselho Municipal da Condição Feminina emitiram ontem uma nota oficial criticando o pronunciamento do vereador João Parreira (PSDB) na última sessão legislativa, no qual o parlamentar, no ponto de vista da entidade, se dirigiu à secretária de Educação, Isabel Algodoal, de forma “grosseira, machista e preconceituosa”.

Na análise da presidente da entidade, Acyr Santinho, o comportamento de Parreira precisa ser avaliado pelo Conselho de Ética da Câmara Municipal.

O vereador tucano criticou a atuação de Isabel e de sua secretaria em relação ao fechamento das creches municipais no período das férias escolares, o que, segundo ele, prejudica milhares de mães trabalhadoras que ficam sem ter onde alojar seus filhos.

O parlamentar, em discurso feito da tribuna livre, dedicou boa parte de sua fala para comentar o assunto, mas em determinado momento, na avaliação das integrantes do conselho, houve exagero.

“A secretária da Educação é muito forte no governo. Ela pode até deitar, mas não cai”, alfinetou o vereador. Na seqüência, a vereadora Majô Jandreice (PC do B) concedeu aparte ao colega, que tentou corrigiu sua expressão. “Peço para trocar a palavra deitar por envergar.”

Para as conselheiras da entidade, Parreira infrigiu o Código de Ética da Câmara.

“O código visa disciplinar a conduta dos parlamentares, tornando-a compatível com preceitos das normas éticas desejáveis numa Casa do povo. O senhor vereador João Parreira, de forma grosseira, desrespeitosa, preconceituosa, injuriosa, machista e discriminatória, infrige o referido código”, afirma a nota.

O documento avalia que o parlamentar, “ao praticar a agressão verbal”, ofendeu a dignidade e a honra da secretária. “Trouxe à tona comportamento machista, ignorante, característica de homens ainda não amadurecidos para viver em sociedade e muito menos para querer representá-la”, critica.

As integrantes do Conselho Municipal da Condição Feminina esperam que a Câmara Municipal cumpra com o dever de aplicar as sanções previstas nesse código, “sob pena de entendermos que esse diploma tenha função meramente formal, mas que não se aplica aos fatos concretos da rotina do Legislativo”.

Além de Acyr, assinam a nota oficial a vice-presidente do conselho, Elizabete Bueno Storto, e as conselheiras Rute do Amaral Sampaio, Brasília Galvão, Geni Destro e Célia Neves.

Pedido de desculpas

O vereador João Parreira garantiu ontem que sua afirmação em relação a secretária de Educação não pode ser entendida como “pejorativa”.

“De maneira alguma eu quis macular a imagem dela como pessoa, como mãe e como mulher. Se ficou essa impressão, quero desfazê-la. Se a correção que fiz não satisfez, quero deixar de público as minhas desculpas a Isabel. Eu a respeito como mulher e como mãe”, diz.

Porém, o parlamentar se acha no direito de discordar do comportamento da secretária em relação ao problema das creches.

O vereador comentou, ainda, a postura do Conselho Municipal da Condição Feminina em relação ao caso. “O conselho deveria procurar as mães que têm seus filhos nas creches e que estão sendo desrespeitadas pela secretaria. Não vi, até agora, a Acyr falar uma palavra em defesa das mães.”

Procurada pela reportagem do Jornal da Cidade, a secretária municipal de Educação, Isabel Algodoal, preferiu não comentar as críticas de Parreira. Disse, ainda, que desconhecia a manifestação do conselho. Ela promete se posicionar sobre o assunto hoje.

O presidente do Conselho de Ética da Câmara Municipal, vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), ainda não recebeu o documento do Conselho Municipal da Condição Feminina. Mas informa que se for provocado, agendará uma reunião com os demais membros para discutir o assunto.