09 de julho de 2026
Polícia

Crise derruba diretora da Febem

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Fugas, rebeliões, denúncias de maus-tratos e principalmente acusações que estão sendo investigadas pela Justiça tornaram insustentável a permanência da diretora da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), Edinéa Sita Cucci. Afastada de sua função por responder a uma sindicância interna, ela não será reconduzida ao cargo.

A informação foi confirmada ontem pela assessoria de imprensa da Febem, que não divulgou o nome de sua substituta. Das 28 sindicâncias abertas na unidade local, apenas uma deve ser concluída nesta semana. Portanto, a nova diretoria da fundação só deve se tornar conhecida a partir de segunda-feira.

Contudo, a assessoria ressalta que a indicação do nome em análise não foi política e que respeitou critérios técnicos. “A pessoa que conduzirá a unidade terá capacitação técnica, confiança da presidência e compromisso com a proposta da unidade”, garante o assessor Joaquim Maria Botelho.

De acordo com ele, o projeto de descentralização da Febem prevê uma política voltada às atividades sócio-educativas e próxima tanto da comunidade local quanto da família dos internos.

Tida como um renovado modelo de ressocialização de jovens infratores, a unidade de Bauru começou a receber os menores em junho do ano passado. Em nove meses, foram registradas ocorrências de fugas, brigas e agressões a internos e funcionários, rebelião e acusação de atentado violento ao pudor.

Há um mês e meio, nove internos conseguiram fugir da Febem de Bauru, quando seis funcionários e cinco internos foram feitos reféns. Por essa razão, os trabalhos lá desenvolvidos têm sido alvo de reclamações de moradores da região, principalmente do Núcleo Presidente Geisel. Conforme o JC já publicou, eles alegam que a presença da unidade no local prejudica a população vizinha.

Para tentar reverter a situação, a presidência da fundação deslocou para Bauru uma força-tarefa que teve como missão investigar as denúncias. As apurações realizadas na cidade, cujos resultados não foram divulgados, e os dados obtidos respaldam o conteúdo das sindicâncias.

Queda

À frente da unidade local da Febem desde novembro de 2001, a diretora afastada Edinéa Sita Cucci, começou a enfrentar problemas administrativos em julho do ano passado, quando o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sitraemfa) protocolou no Ministério Público (MP) denúncias contra ela.

Quatro meses depois, o MP a representou por improbidade administrativa. Na ação, ela é acusada de ter transportado funcionários até sua residência, durante o expediente, a fim de que realizassem serviços de jardinagem e servente de pedreiro.

A Promotoria ainda a acusou de ter obrigado os servidores da Febem a participar de uma reunião com o então candidato a deputado federal Caio Coube, que estava em campanha. Coube e Edinéa integram o PSDB.

Devido à ação, ela pode ser proibida de assumir cargos públicos por um tempo determinado e ainda pode arcar com a suspensão de seus direitos políticos e com multa de 100 salários mínimos.

As mesmas denúncias estão sendo apuradas pela Comissão Interna Processante da Febem, que deve concluir sindicância na próxima semana. Até lá, quem responde pela unidade local é a encarregada técnica Magda Prestes Maia.

O inquérito, aliado aos problemas de fugas, rebeliões e agressões, resultou na substituição da diretora, que já foi dirigente regional de Ensino de Bauru. De acordo com informações extra-oficiais, outros quatro funcionários já foram exonerados.

Edinéa foi procurada, mas alegou ainda estar impossibilidade de se manifestar publicamente.