09 de julho de 2026
Regional

Banco 'resgata' filha de supervisor

Por Cláudio Dias | Tribuna Impressa - Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Araraquara - O supervisor de tesouraria da Nossa Caixa de Araraquara, A.C. (apenas as iniciais foram divulgadas pela polícia), pagou pouco mais de R$ 225 mil em dinheiro pelo resgate da filha, a estudante A.R.C., 18 anos, seqüestrada anteontem, num ponto de ônibus da cidade. O dinheiro, segundo informações policiais, foi liberado pelo banco. A negociação com os seqüestradores foi feita pelo pai da vítima. O pagamento teria ocorrido próximo a um posto de combustíveis da rodovia Washington Luiz (SP-310). A Polícia Civil só foi acionada após a libertação da refém.

De acordo com o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Jesus Nazaré Romão, por volta das 11h de anteontem ele foi informado sobre o seqüestro por A.C., via telefone. No mesmo momento, o supervisor avisou que o resgate havia sido pago.

Segundo informações extra-oficiais, todos os dias A.C. leva a filha à escola. Anteontem, por volta das 7h, ele saiu para trabalhar no horário de costume, mas sem a filha do supervisor que somente entraria na segunda aula, ou seja, um pouco mais tarde.

Por volta das 7h30, a garota andou quase dois quarteirões e foi a um ponto de ônibus. Lá, teria sido abordada por um homem negro, cabelo curto, vestindo um terno preto que, num Astra verde, quatro portas, pediu uma informação. Ao atendê-lo, teria sido rendida e colocada dentro do carro. A vítima teve os olhos vendados pelo seqüestrador, que estaria armado com uma pistola semi-automática.

A estudante, segundo a polícia, teria rodado por alguns minutos dentro do veículo e depois desceu e foi colocada vendada no porta-malas. Após uma volta, teria entrado numa residência com degrau, e lá ficado por alguns minutos, sentada num colchão. Os seqüestradores teriam permanecido no local por alguns minutos e saído novamente com a garota, parando num telefone público de onde ligaram para a agência central da Nossa Caixa Nosso Banco.

Um dos seqüestradores teria avisado ao supervisor da tesouraria que sua filha estaria com eles, inclusive, a colocou ao telefone. Após a confirmação, eles pediram R$ 500 mil em dinheiro para libertá-la. O pai teria avisado que não tinha essa quantia no banco, até por isso, o seqüestrador pediu o mapa financeiro do banco.

A partir daí, os bandidos mandaram a polícia ficar fora do caso e exigiram que o tesoureiro do Banco Nossa Caixa fosse ao posto de combustível na rodovia esperá-los. Após sacar o dinheiro do cofre e do caixa eletrônico, com a autorização da gerência, o pai foi ao local e viu quando um Astra parou na sua frente.

Ele entregou ao homem negro uma caixa de papelão com todo o dinheiro e o mapa financeiro. O seqüestrador teria mandado que o tesoureiro voltasse para casa, pois a informação sobre o paradeiro da sua filha viria por telefone. Após 30 minutos, um outro seqüestrador teria ligado e dito que ela estava numa estrada próxima da Usina Tamoio, sentido Ibaté.

A estudante foi encontrada bem. Somente após vê-la, o gerente do banco avisou o titular da DIG sobre o fato e a entrega de R$ 225.133,26 em dinheiro. Durante todo o dia de ontem e anteontem, Romão fez diligências tanto pela Maurício Galli, quanto no ponto da entrega do dinheiro. A especializada apura o caso, mas ainda não há suspeitos da prática do crime.