O coordenador do Programa de Combate à Dengue da Prefeitura de Bauru, Flávio Tadeu Salvador, afirmou que os oito novos casos confirmados da doença não vão alterar a metodologia de trabalho que está sendo adotada.
Bauru tem agora 30 casos confirmados, o que configura uma epidemia. Dessses casos, 24 são autóctones (contraídos no munícipio) e seis importados. Há ainda 91 pessoas sob suspeita de estarem com dengue.
Se a média de casos confirmados for mantida até o meio do ano, a estimativa é de que Bauru pode ter 72 pessoas contaminadas no início de julho, número que pode ser ainda maior, já que 70% das casas visitadas apresentam larvas do mosquito Aedes aegypti.
“Por enquanto, estamos descartando a adoção de mutirões porque esta é uma medida paternalista, mas estamos trabalhando dentro das normas técnicas exigidasâ€, diz o coordenador.
O trabalho consiste na realização de ciclos de busca ativa nos bairros atingidos. Os 100 funcionários da Secretaria de Saúde fazem três visitas regulares, sempre a cada dez dias.
Salvador aponta a falta de colaboração de alguns moradores como um empecilho no combate ao Aedes aegypti. “Cerca de 20% das pessoas não permitem que os agentes façam a vistoria.â€
Mais agentes
Outras cidades do Estado que apresentam números elevados da doença estão intensificando o combate ao mosquito.
O coordenador da Divisão de Zoonoses da Prefeitura de Marília, Lupércio Lopes Garrido Neto, diz que o grande trunfo da cidade é a presença de 318 agentes comunitários. “Isso proporciona um controle rigoroso nos imóveis.â€
A cidade tem 73 casos confirmados, sendo 58 autóctones. “Cerca de 80% desses casos foram em janeiro. Temos feito arrastões e bloqueios que contribuíram para que os números diminuíssem. Além disso, criamos uma equipe epecial para tampar caixas d’águaâ€, afirma o coordenador.
Ações comunitárias
Em Ribeirão Preto, um dos 133 casos confirmados é de dengue hemorrágica, a forma mais grave da doença e que pode causar a morte.
A chefe da Divisão de Controle de Vetores, Maria Luiza Santa Maria, está preocupada com o período pós-Carnaval. “Muita gente viajou e pode ter contraído a doença em outras cidades, o que aumentaria nossas estatísticas.â€
Para tentar deter o avanço da dengue, a prefeitura resolveu reunir as associações de bairro e realizou mutirões. “Nós mobilizamos a população durante toda a semana e na sexta-feira passamos recolhendo o materialâ€, diz Santa Maria.
Nos imóveis especiais, como escolas, lojas e bancos, um funcionário é recrutado como agente colaborador. “Essa pessoa fica responsável pelo prédio e ajuda a conscientizar os outros funcionários.â€
Na segunda-feira está programada uma reunião com 350 segmentos da sociedade, entre eles políticos e militares. A idéia é discutir novas ações que possam ser implantadas.
Focos em queda
O coordenador de Saúde da Prefeitura de Paraguaçu Paulista, Wilson Gentil, credita a diminuição do número de casos notificados e de focos da dengue no município ao trabalho intensificado que passou a ser feito em fevereiro. A cidade tem 96 casos confirmados da doença.
“Já que a população não contribuiu da maneira que nós queríamos, passamos a fazer um trabalho de casa em casaâ€, afirma Gentil.
Os 49 agentes envolvidos no combate à dengue participam de mutirões para a retirada de criadouros.