09 de julho de 2026
Bairros

Novas confirmações elevam para 35 os casos de dengue

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Com a confirmação de mais cinco casos de dengue, ontem, sobe para 35 o número de moradores de Bauru que contraíram a doença neste ano na cidade. O aumento de casos preocupa os órgãos de saúde, que enfrentam dificuldade em combater criadouros do mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, em casas abandonadas e construções inacabadas.

Flávio Tadeu Salvador, coordenador Programa Municipal de Combate à Dengue, explica que o vaso de plantas é o principal criadouro do Aedes. Porém, ele ressalta que o mosquito já adaptou-se à água não tão limpa e também procria-se em outros locais, inclusive laje de construções inacabadas e quintais de imóveis abandonados.

“O vaso de flor ainda é o principal vilão da dengue porque o mosquito prefere água limpa para pôr seus ovos e em local habitado. Mas quando reduz a oferta de vasos, ele pode procriar-se em outros locais, mesmo que a água não esteja tão limpa”, diz.

A equipe de combate à dengue, conta, está tentando uma saída jurídica para vistoriar imóveis fechados sem que os fiscais sejam acusados de invasão de propriedade. “O mosquito procria-se em vasos sanitários e qualquer outro local que acumule água. Por isso os imóveis fechados e principalmente aqueles que estão abandonados, que têm lixo nos quintais, nos preocupa”, ressalta Salvador.

Dorival Aparecido Gonçalvez, que administra condomínios na região do Jardim do Contorno, denuncia que um ferro-velho no bairro tem criadouro do Aedes. Porém, Salvador garante que todos os ferros-velhos e desmanches de veículos são vistoriados pelos fiscais a cada 15 dias.

Se existir criadouro do Aedes, o responsável é notificado a eliminar o foco em 15 dias, ficando sujeito a multa que varia de R$ 400,00 a R$ 2 mil, ressalta Salvador. “Nossa proposta não é multar, mas sim eliminar os criadouros”, afirma ele que não soube precisar quantas multas já foram aplicadas por esse motivo.

Dos casos confirmados ontem, três são autóctones (contraídos na própria cidade) e dois são importados. Treze exames apresentaram resultados negativos, mas 115 pessoas continuam sob suspeita de terem contraído a doença.

Os casos autóctones confirmados ontem são de moradores do Parque Paulistano (dois), que agora soma cinco casos, e na Vila Falcão (um), na região onde está concentrado o foco de transmissão, conta Flávio.

Já os dois casos importados da cidade de Campo Grande (Mato Grosso) estão na Vila Coralina. Ontem, as equipes de combate à dengue fizeram bloqueios de transmissão e levantamento de novos suspeitos no Parque Paulistano e Núcleo Beija-Flor, que tiveram casos confirmados entre quinta-feira e ontem.

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Pacientes de cama

A dengue chega a levar o paciente para cama por vários dias, dependendo da resistência da pessoa que foi picada pelo mosquito infectado. O alerta é da enfermeira Kátia Lopes Santoro Nakagaki, chefe da Seção de Doenças Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde.

“No período de transmissão, que é de cinco dias após o início da apresentação dos sintomas, a pessoa chega a ficar de cama. Mas depende da resistência de cada um. Alguns sentem só um mal-estar, outros realmente passam muito mal”, frisa.

A doméstica Maura Oliveira, que teve dengue há cerca de dois anos, conta que passou muito mal. “Eu fiquei de cama, não tinha coragem para fazer nada. As pessoas acham que dengue não é grave, mas é sim”, frisa.

Ela lembra que teve muitas dores no corpo e que até tomar banho era uma tarefa difícil. “O corpo doía quando a água do chuveiro batia”, diz. “Mas meu medo continua porque se eu pegar dengue outra vez, de outro tipo, pode ser pior”, ressalta.

Kátia lembra que toda pessoa com dengue tem que ficar em casa nos cinco primeiros dias após os sintomas, para evitar que a doença espalhe-se para outros pontos da cidade.