09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Cultura e lazer em Bauru III


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Após ler as cartas de Angelo Sotovia (12/3) e do Guto Guedes (13/3), publicadas nesta Tribuna, solidarizo-me com eles, pela lembrança dos variados points de resistência, onde são difundidas as mais diferentes formas de cultura na cidade. Tristeza e alegria, uns vão outros surgem. Devemos estar sempre lembrando aquilo que ao invés de caminhar para a frente, deram uma sensível ré. Muitas são as lembranças lamentáveis, como a recente transformação de um antigo e tradicional clube, o das Nações, em mais uma igreja evangélica arrecadadora, do tipo onde o diabo ainda é incitado como o culpado das mazelas por que passamos. O Sandália de Prata, reduto do samba ao vivo, hoje é uma danceteria, eliminando de vez mais um espaço de música ao vivo. O Sesc, que tinha uma das melhores programações da região, hoje passa meio batido, pois não quer mais fugir do trivial. Prefere o requentado e não quer mais trazer aquelas novidades todas, que durante décadas transformou-o em ponto de referência cultural. O espaço do Teatro Municipal, a não ser pelo pessoal do hip-hop, ainda não foi devidamente ocupado, pois não tem conseguido atrair um público fiel e expressivo, faltando um pouco de identidade na sua programação. Quem não se lembra da Oficina Cultural, quando era ali na Rubens Arruda e trazia tudo o que era vanguarda na nossa MPB. Hoje está mais do que esquecida lá na rua Amazonas, sem uma programação condizente com o seu passado de glórias. Cadê as quintas culturais da USC? E aqueles shows do Sindicato dos Bancários, quando ainda era na rua Araújo? Por que nossos cinemas (do mesmo dono) não dedicam 2 sessões semanais específicas para filmes de arte e brasileiros (vejam o sucesso do “Deus é brasileiro”)? E o teatro amador sofrendo muito, com poucas instituições querendo continuar patrocinando o setor? E o tal do Pão Music, que é tão atuante em Sampa, será que vai ficar somente naquele show inaugural? Acho até que perdemos mais do que ganhamos. Denunciar e lembrar disso tudo é uma forma de lutar pela reconquista. (Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2)