09 de julho de 2026
Política

Funprev só investe se ouvir servidor

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Os membros efetivos dos Conselhos Curador e Fiscal da Fundação de Previdência (Funprev) anteciparam, ontem, que qualquer proposta de investimento de recursos previdenciários em obras ou projetos públicos só será levada adiante se contar com o apoio da categoria.

A posição vem depois que o JC revelou que o Executivo iniciou discussão visando possível parceria financeira para a implantação do tratamento de esgoto na cidade. O assunto será debatido na reunião do Conselho Curador com a presidência da Funprev marcada para a próxima segunda-feira.

O presidente do Conselho Curador, Vanderlei Tomiati, posiciona que todo investimento que envolva valores significativos serão levados à discussão junto ao próprio servidor. “Nossa função é defender o interesse do servidor público. Para uma decisão desse gênero nós sempre vamos consultar o servidor, seja por audiência pública ou assembléia”, comenta.

A posição de Tomiati é a mesma dos conselheiros efetivos da área fiscal e da curadoria, sendo Sandra Regina Fiocco, Wilson Roberto Birello, Elaine Sementille e Guilherme Garmes Neto. O último preside o Conselho Fiscal da Funprev.

Tomiati deixa claro que não ocorreu nenhuma conversa oficial sobre o tema até o momento. “Mas como nossas reuniões são sempre às segundas, quartas e sextas, o assunto pode ser debatido”, cita.

Os conselheiros informam que não são contra a proposta, inicialmente. “O problema é que existem impedimentos jurídicos. Um deles é que uma resolução do Banco Central veda que os fundos com finalidade previdenciária concedam empréstimos ou financiamentos”, adverte.

Mas Tomiati não é contra propostas de investimentos em setores que não tratam de previdência, desde que a lei não impeça. “Eu mesmo protocolei para o prefeito um ofício colocando que a fundação pode ser intermediária em programas de habitação para o servidor”, menciona.

Outra limitação para que a Funprev atue em ações do gênero é que a lei estabelece limites para investimentos de risco. “O saldo do fundo hoje ainda é muito pequeno para possibilitar grandes investimentos. Temos cerca de R$ 13 milhões”, conta. A lei limita os investimentos de risco a no máximo 5% do saldo em caixa.

Pauta importante

Os conselheiros contam que a prioridade no momento é a aprovação do projeto de lei que tramita na Câmara que estipula a estrutura administrativa do órgão.

Eles citam que a proposta é de consenso e contempla a necessidade básica de funcionamento do órgão. “Apresentamos um projeto tirado por unanimidade dentro do conselho e com a participação da presidência da Funprev”, acrescenta. O texto prevê a existência de 23 funcionários e o custo inicial mensal da folha seria de R$ 25 mil/mês.

Outro ponto a ser atacado pelos conselheiros até maio é a necessidade de contratação de dois médicos especializados em perícia trabalhista. O serviço é visto como fundamental para a regra de concessão de licenças e de aposentadorias. Todos os benefícios previdenciários passam a ser pagos pela Funprev a partir de maio.

Investimento

A proposta de participação da fundação nas obras de tratamento do esgoto partiu de reunião preliminar realizada entre o prefeito Nilson Costa (PPS) e o presidente da fundação, Varlino Mariano de Souza.

Nilson confirmou a discussão inicial. “Nós tivemos uma reunião preliminar com o presidente da fundação e iniciamos uma discussão sobre a viabilidade de investimento em tratamento de esgoto com aporte da fundação. Consideramos a proposta interessante do ponto de vista social”, conta.

O secretário de Economia e Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, também vê a opção como alternativa de financiamento para o tratamento de esgoto. “A idéia é boa e precisa ser amadurecida sob o aspecto jurídico e financeiro”, comenta.

Já Varlino se posicionou que qualquer assunto que envolva a fundação deverá ser submetido ao Conselho Curador.