08 de julho de 2026
Saúde

Depósito é feito em valas sépticas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o resíduo hospitalar produzido em Bauru é recolhido pela prefeitura e encaminhado às valas sépticas do aterro sanitário municipal desde 1994, conforme determinação do Código Sanitário do Município.

O supervisor da coleta especial da Emdurb Nivaldo Aparecido Rio Peres explica que as valas sépticas são grandes “covas” com 15 metros de extensão por cinco metros de largura e quatro metros de profundidade, revestidas por asfalto diluído - material impermeável que impede a contaminação do solo.

Conforme o lixo é depositado, funcionários do local cobrem os resíduos com cal virgem (substância desinfetante) e terra. “Enquanto a vala está sendo usada, ela é mantida tampada por telhas. Quando a vala está cheia, o material é compactado e coberto com uma grossa camada de terra. Todas as valas sépticas recebem uma placa indicativa de produto contaminado”, explica.

O lixo hospitalar corresponde a 1% do volume total de lixo produzido pela cidade. “Nós recolhemos uma média de 1,7 mil quilos de resíduos sólidos de saúde por dia. Isso é suficiente para encher uma vala séptica inteira em aproximadamente 40 dias”, afirma a gerente de Limpeza Pública da Emdurb Roberta Oliveira Lança.

No Brasil, estima-se a geração de cerca de 120 mil toneladas de lixo urbano por dia, sendo que 1% a 3% deste volume são produzidos por estabelecimentos de saúde. Desse total, entre 10% e 25% representam risco à saúde. Com a separação e destinação corretas, pretende-se reduzir a possibilidade de contaminação do lixo comum e do meio ambiente.

Segundo Lança, a coleta do lixo hospitalar (coleta especial) exige cuidados muito diferenciados da coleta comum. Esses cuidados vão desde o treinamento dos funcionários até a adaptação dos veículos que transportam exclusivamente este material.

Ela explica que os veículos da coleta especial têm que ser revestidos de material impermeável e lavável. As caçambas onde o material é armazenado precisam ser totalmente lacradas para evitar vazamentos, apenas com saídas de ar para evitar acúmulo de gases tóxicos. A cada descarga esses veículos têm que ser lavados e desinfetados.

Para os funcionários, as regras são ainda mais específicas. Os profissionais que trabalham na coleta especial recebem um conjunto de vacinas (antitetânica, tríplice viral, hepatite B, febre amarela, dupla adulto) para prevenir a contaminação por doenças. Para trabalhar, eles são obrigados a usar um kit de proteção, que inclui luvas, botas, avental e máscara com filtro de ar.

De acordo com Peres e Lança, o serviço atende aproximadamente 95% dos estabelecimentos de saúde da cidade. Os outros 5% correspondem aos consultórios que não estão cadastrados.

“Alguns reclamam da taxa de coleta, que é de R$ 4,50 para os que usam sacos de 20 litros e de R$ 9,00 para os que usam sacos de 40 litros. Ao pagar estas taxas, o estabelecimento recebe, respectivamente, 10 sacos de 20 litros ou 40 litros e a coleta na periodicidade necessária.

A coleta especial em Bauru conta com dois veículos Fiorino, um caminhão, três motoristas, três coletores e dois ajudantes que recebem os resíduos no aterro sanitário.

• Serviço

Consultórios que não estão cadastrados estão em desacordo com a legislação municipal. Eles podem regularizar suas situações entrando em contato com a Emdurb pelos telefones (14) 232-8449 ou 232-8458.