08 de julho de 2026
Bairros

Modelagem pede mudança de hábito

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Dentro de poucas semanas, a população usuária do sistema de transporte coletivo de Bauru terá que enfrentar mudanças de hábitos. É que entrarão em vigor as alterações de itinerários e horários das linhas, que fazem parte do projeto de modelagem da rede.

A proposta visa diminuir o custo do sistema - evitando aumentos abusivos de tarifa - e melhorar a qualidade do atendimento à população usuária.

Para isso, algumas linhas sofrerão adaptações ou fusões. Outras serão canceladas e duas novas linhas serão criadas.

A frota, que hoje opera com 239 veículos, terá uma redução de 33 ônibus. Vinte e um dos cerca de 1.700 pontos atuais serão extintos. Apesar disso, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) garante que o tempo de espera nos pontos de ônibus não irá aumentar.

Pelo contrário. A Emdurb, a empresa de consultoria Logitrans e as empresas operadoras do sistema, que em parceria elaboraram o projeto de modelagem, destacam que a média do tempo de espera pelos coletivos passará de 31 minutos para 21.

“A espera pelo ônibus é uma angústia da população”, avalia Waldomiro Fantini Júnior, diretor da Divisão de Transportes da Emdurb.

A mágica consiste em reduzir o número de linhas de 76 para 55 e concentrar mais carros em cada uma delas, aumentando a freqüência com que os carros passam pelos pontos.

A quantidade de ônibus por linha passará de 3,14, em média, para 3,75.

Ociosidade

Fantini Júnior explica que o sistema atual tem diversos problemas, como linhas ociosas e sobrepostas.

Há linhas semelhantes no mesmo bairro que passam em ruas diferentes. Muitas vezes, o passageiro está esperando em um ponto e o ônibus passa na rua de cima, por exemplo. Uma das conseqüências são carros que viajam praticamente vazios.

“Isso fez com que nós pudéssemos reduzir um pouco a quantidade de ônibus, que estava em excesso, e ao mesmo tempo concentrar um número maior de carros nestas linhas”, explica Fantini Júnior.

“Hoje, nós temos um sistema de transporte em que existe um grande número de sobreposições, muita ociosidade e dispersão de linhas”, reforça o diretor de divisão da Emdurb.

Se depender do que afirmam os responsáveis pelo projeto, a população não precisa se preocupar porque ninguém ficará sem ônibus. As sete linhas eliminadas apresentavam baixa demanda e tinham linhas concorrentes, ou seja, com itinerários muito parecidos.

“Nós não estamos simplesmente tirando linhas. Estamos adaptando outras linhas para cobrir aquele itinerário”, expõe Fantini Júnior.

Outra justificativa para as alterações é a queda observada na quantidade de passageiros, nos últimos anos. Em 1996, eram 4,5 milhões mensalmente, com 250 ônibus. Hoje, são 2,9 milhões por mês.

A rede a ser implantada em meados de abril deve ser mais enxuta e racional, atendendo a população de acordo com suas necessidades, que foram detectadas através de pesquisa.

O diretor destaca que 100% da rede passarão por alterações de horário, mas apenas 40% das linhas terão mudanças de itinerário.

A estimativa é de que, devido ao crescimento da cidade, o novo sistema dure de três a cinco anos. “Tudo isso é muito dinâmico. A cidade cresce e nós temos que correr atrás dela”, diz Fantini Júnior.

A Emdurb disponibilizará 50 pessoas que trabalharão como monitores, orientando as pessoas nas ruas antes do sistema entrar em vigor.

Manuais com as novas informações de itinerários e horários serão distribuídos nos coletivos.

Além disso, a capacidade do Sistema de Atendimento ao Usuário (SAU) da Emdurb será dobrada no final do mês de março, quando operadores treinados passarão a esclarecer as alterações através do 0800-994599.