Dentro de poucas semanas, a população usuária do sistema de transporte coletivo de Bauru terá que enfrentar mudanças de hábitos. É que entrarão em vigor as alterações de itinerários e horários das linhas, que fazem parte do projeto de modelagem da rede.
A proposta visa diminuir o custo do sistema - evitando aumentos abusivos de tarifa - e melhorar a qualidade do atendimento à população usuária.
Para isso, algumas linhas sofrerão adaptações ou fusões. Outras serão canceladas e duas novas linhas serão criadas.
A frota, que hoje opera com 239 veículos, terá uma redução de 33 ônibus. Vinte e um dos cerca de 1.700 pontos atuais serão extintos. Apesar disso, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) garante que o tempo de espera nos pontos de ônibus não irá aumentar.
Pelo contrário. A Emdurb, a empresa de consultoria Logitrans e as empresas operadoras do sistema, que em parceria elaboraram o projeto de modelagem, destacam que a média do tempo de espera pelos coletivos passará de 31 minutos para 21.
“A espera pelo ônibus é uma angústia da populaçãoâ€, avalia Waldomiro Fantini Júnior, diretor da Divisão de Transportes da Emdurb.
A mágica consiste em reduzir o número de linhas de 76 para 55 e concentrar mais carros em cada uma delas, aumentando a freqüência com que os carros passam pelos pontos.
A quantidade de ônibus por linha passará de 3,14, em média, para 3,75.
Ociosidade
Fantini Júnior explica que o sistema atual tem diversos problemas, como linhas ociosas e sobrepostas.
Há linhas semelhantes no mesmo bairro que passam em ruas diferentes. Muitas vezes, o passageiro está esperando em um ponto e o ônibus passa na rua de cima, por exemplo. Uma das conseqüências são carros que viajam praticamente vazios.
“Isso fez com que nós pudéssemos reduzir um pouco a quantidade de ônibus, que estava em excesso, e ao mesmo tempo concentrar um número maior de carros nestas linhasâ€, explica Fantini Júnior.
“Hoje, nós temos um sistema de transporte em que existe um grande número de sobreposições, muita ociosidade e dispersão de linhasâ€, reforça o diretor de divisão da Emdurb.
Se depender do que afirmam os responsáveis pelo projeto, a população não precisa se preocupar porque ninguém ficará sem ônibus. As sete linhas eliminadas apresentavam baixa demanda e tinham linhas concorrentes, ou seja, com itinerários muito parecidos.
“Nós não estamos simplesmente tirando linhas. Estamos adaptando outras linhas para cobrir aquele itinerárioâ€, expõe Fantini Júnior.
Outra justificativa para as alterações é a queda observada na quantidade de passageiros, nos últimos anos. Em 1996, eram 4,5 milhões mensalmente, com 250 ônibus. Hoje, são 2,9 milhões por mês.
A rede a ser implantada em meados de abril deve ser mais enxuta e racional, atendendo a população de acordo com suas necessidades, que foram detectadas através de pesquisa.
O diretor destaca que 100% da rede passarão por alterações de horário, mas apenas 40% das linhas terão mudanças de itinerário.
A estimativa é de que, devido ao crescimento da cidade, o novo sistema dure de três a cinco anos. “Tudo isso é muito dinâmico. A cidade cresce e nós temos que correr atrás delaâ€, diz Fantini Júnior.
A Emdurb disponibilizará 50 pessoas que trabalharão como monitores, orientando as pessoas nas ruas antes do sistema entrar em vigor.
Manuais com as novas informações de itinerários e horários serão distribuídos nos coletivos.
Além disso, a capacidade do Sistema de Atendimento ao Usuário (SAU) da Emdurb será dobrada no final do mês de março, quando operadores treinados passarão a esclarecer as alterações através do 0800-994599.